O que é uma casa?

>> terça-feira, 31 de agosto de 2010

Há um tempo atrás meu filho criou um grupo na internet para todas as pessoas da família do pai (meu marido) poderem conversar mais, já que alguns moram fora e mesmo para os que moram aqui, pois não é fácil se encontrar sempre como gostaríamos.
Num dia da semana passada à noite, abro meu computador e lá está o e-mail abaixo.
Explico: no mesmo dia meu marido saiu e quando voltou estava em lágrimas. Eu já imaginava o motivo: ele tinha ido entregar as chaves da casa que pertenceu aos seus pais falecidos há uns 3 anos ao novo proprietário. Eu aguardava a sua volta e já imaginava que ele chegaria assim.
Quando foi à noite, ele estava no computador dele e eu percebi seus olhos cheios de lágrimas. Depois ele se levantou, foi até a cozinha e eu fui atrás e perguntei o que tinha acontecido.
Ele me falou para eu entrar no meu e-mail que saberia.
E foi essa emocionante declaração de Saudade o que eu li.
Achei tão bonita, tão sincera, tão tocante que resolvi guardar, mas também dividir.


"O que é uma casa? Um monte de cimento, tijolos, ferro e madeira amontoados de forma ordenada, acho. Segundo o Houaiss, que sabia definir as coisas muito melhor do que eu consigo, é um "edifício de formatos e tamanhos variados, geralmente de um ou dois andares, quase sempre destinado à habitação".

E é isso. É só isso mesmo, nem mais, nem menos.

Não há necessidade de móveis, nem tapetes, nem fogão, nem geladeira. Essas coisas não constituem uma casa. Aliás nem pessoas são necessárias para definir uma casa, afinal ela é só um edifício de formatos e tamanhos variados, etc, etc.etc.

Mas peraí.... o que é que eu estou vendo aqui nesta casa? Ela está vazia. Completamente vazia. Vazia como nunca esteve. E mesmo assim eu estou vendo um monte de coisas aqui dentro....muito mais coisas do que cimento, tijolo, ferro, madeira.

Primeiro vejo muitos, muitos natais. Uma casa cheia, barulhenta. Todos falando ao mesmo tempo e todos falando muito alto. Aquela voz que eu ouço falando mais alto que todos que falam alto me é familiar..... Lógico, sou eu falando. Mas não tem problema, logo estarei rouco e não conseguirei falar mais. No canto, uma árvore de natal feita de papel, ou de madeira, sempre meio tosca, mas preparada pela minha mãe com um carinho incomum. Sem contar os enfeites espalhados pela casa, igualmente feitos à mão, igualmente toscos, igualmente lindos em sua tosquice. Num outro canto, meu pai em companhia do Silvio, assistindo TV e fingindo que não gosta de nada daquilo e que por ele nem precisava. Mentira.... ai se não houvesse uma festa. Todos em roupas de festa. Presentes! Muitos presentes! Mas melhor do que tudo, uma guerra de papel no final do amigo secreto.

Estou vendo minha mãe ali na porta falando "Oba!" pra qualquer filho que chegasse. Subo as escadas e vejo os quartos onde tantas vezes deixei meus filhos pra dormir com a vó. Não me lembro de uma única vez que ela tenha dito para eles não ficarem, nem me lembro de uma única vez de eles não quererem ir.

Vou até a cozinha e agora estou sentindo o cheiro do café que acabou de ser feito e colocado em uma garrafa térmica prateada, do tamanho de um extintor de incêndio; o gosto da maria-mole feita no pirex; da carne-assada feita no domingo; do sanduichão, do arroz empapado. Estou sentindo o gosto do dia das mães, do dia dos pais, da "feijoada do vô", dos aniversários.

Volto pra sala e dou de cara com quê? Uma coluna. No meio da sala. A coluna mais sem sentido em toda a história da arquitetura. Ao lado da coluna, um lavabo sem janela, construído embaixo de uma escada. Nem o mais renomado dos arquitetos formados na Sorbonne sabia desse colega que morava na Vila Mariana e projetava colunas e lavabos no meio de salas.

Ouço lá embaixo o latido de um cachorro no quintal. Ele está ao lado de uma horta feita no quintal estreito, que nunca produziu nada além de sonhos de um dia ter um sítio, uma fazenda, um latifúndio.
Lá em cima estão dormindo todos os netos, amontoados. O natal está chegando e todos se mudam pra lá nessa semana para dormir com as primas que vieram do Rio. Com certeza devem ter ido dormir de madrugada, depois de jogar muito sete-e-meio, apostando com um saco de moedas velhas e só depois de terem comido um imbróglio feito pelo meu pai, misturando na frigideira tudo que tivesse na geladeira.

Começa um conversê...

Ouço o Fernando reclamar ao meu pai que a Mônica fora entregue faltando um pivô. Ouço meu pai falando de mais um negócio mirabolante que ele estava matutando. Ouço minha mãe colocando panos quentes em qualquer ameaça de desavença. Ouço a Jussara, conversando com minha mãe, a Jurema e a Mônica na mesa do café na copa. Provavelmente estão falando do mesmo assunto a horas, contando e repetindo as mesmas histórias, mas ninguém se cansa. A família é assim...

Mas acima de tudo, o que mais ouço são risadas. Muitas risadas. Risadas altas, longas. Risadas gostosas.
Espera aí, não houve momentos tristes? Puxa, devem ter havido, mas sinceramente não lembro. Tenho certeza que ao fim e ao cabo de tudo, só nos lembraremos mesmo é dos momento bons. São eles que estão vivos agora nas lembranças que tenho desse monte de cimento, tijolos, ferro e madeira que acabo de entregar ao novo proprietário. Acho que ele nem sequer desconfia, mas junto com o "edifício de formatos e tamanhos variados, geralmente de um ou dois andares, quase sempre destinado à habitação", ele está levando meu passado, minhas lembranças, um bom pedaço da minha vida.


Quanto ele pagou? Sei lá, mas foi barato.
beijos
Julio (aos prantos)"

Não vou colocar aqui as respostas dos irmãos e dos primos, mas posso dizer que são todas emocionantes.
um beijo

(fotos tiradas do Google)

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O fim

>> domingo, 29 de agosto de 2010

No final de um arco-íris
Você achará um pote de ouro
No final de uma história
você entenderá tudo que foi contado


Mas nosso amor tem um tesouro
Que nossos corações sempre poderão dispor
E tem uma história
Sem qualquer fim
No final de um rio
A água pára seu fluxo
No final de uma estrada
Não há lugar algum que você possa ir

Mas diga apenas que me ama
E que você é só minha
E nosso amor irá durar
Até o fim dos tempos


beijos e bom final de domingo

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Blogagem Coletiva - Sentimentos - Raiva/Ódio

>> sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quase todos os finais de semana eles estavam lá. Amigos há um bom tempo, filhos com a mesma idade, iam ao clube que eram sócios para se encontrar, conversar, fazer churrasco, praticar esportes, tomar sol, enquanto as crianças se divertiam entre elas e com outras que lá também estavam com a mesma finalidade: Se preparar para mais uma semana.
Ela gostava de tomar sol, queimar a pele clara que deixava a marquinha da parte de cima do biquine. O marido reclamava, não gostava que ela tomasse tanto sol, mas não adiantava; era só o dia estar bonito e lá ia ela se deitar numa cadeira ao lado da piscina. Mais tarde, iriam todos almoçar, tomar sorvete e pensar no que iriam fazer à noite.

Ela era professora do ensino fundamental e ele um engenheiro renomado. Depois de um tempo, ele resolveu fazer também arquitetura. Ela reclamou, pois iriam ficar muito tempo separados, já que ele iria estudar à noite, mas incentivou pois sabia que ele estava querendo muito. Ele se formou e montou um escritório junto com uma colega de turma.

Os finais de semana já não seriam os mesmos. De repente o celular dele tocava, e era a sócia pra falar dos projetos, de clientes. A mulher não gostava, é claro, reclamava, mas ele dizia que tinha até que agradecer, afinal ela estava trabalhando no final de semana.

Nesse meio tempo construíram uma linda casa num condomínio e foram pra lá. Não era nada fácil ir e vir todos os dias para a cidade, levar crianças na escola, trabalhar, mas pensavam: a vida tranqüila e a paisagem de lá, compensavam.
Num sábado à noite combinaram de se reunir na casa de um dos amigos no dia seguinte, para tomar café da manhã. Vários casais, as crianças, mesa grande arrumada, cada um trazia uma coisa, um tipo de pão, frios, bolo, a geléia feita em casa, bate-papo, piadas, risadas, e o assunto virou pra cinema. Um contou do filme que viu na TV naquela semana, outro disse que tinha ido assistir a estréia de Amor sem Fronteiras, quando ele disse que tinha visto também.



Ela então perguntou – Como assim, você assistiu? Nós tínhamos combinado de ir ver na semana que vem.
Ele então responde – Ah! Me esqueci, e como eu tive uma folga a semana passada fui ver. Mas também tudo bem; você não ia gostar.
Ela engasgou, ficou vermelha, provavelmente de raiva, abaixou a cabeça e continuou o seu café. Percebeu naquele exato momento que as coisas já não eram como antes.

O tempo foi passando, mais telefonemas acontecendo, mais desculpas, mais brigas, mais discussões, ora tudo bem, ora tudo ruim, até que o filho mais velho querendo iniciar o cursinho para vestibular quis voltar a morar na cidade.

Sozinho, não vai, o pai falou.

Resolveram então comprar um apartamento na cidade e morar ali durante a semana. A casa bonita ficaria para os finais de semana.
Acharam o apartamento, reformaram e já com as aulas começando vieram todos ...
menos ele.
Cada dia uma desculpa. Ela então percebeu que a coisa estava pior do que pensava, mas, não queria de nenhuma forma enxergar. Até o dia que ele mandou um motorista ir pegar as suas coisas. Ela assustada quis saber o que estava acontecendo e ele disse que não queria morar naquele apartamento, que a casa dele continuava a ser a outra casa.

Ela sofria, não entendia, mas não falavam em separação.

Quando alguém perguntava, ela se apresentava ainda como a sra. Fulana de Tal.

Mas um dia ela soube, por outra pessoa, que ele tinha comprado outro apartamento na cidade.
Ela não acreditou, não queria, não podia acreditar. Porquê? O que acontecera?

Esbravejou, quis falar com ele (que não atendeu), se fez mil perguntas, chorou sozinha e se aquietou. Os amigos que antes se reuniam muito, já quase não se viam. Não entendiam a situação que se formara, mas a amiga fiel estava lá, pronta, tentando lhe abrir os olhos que ela, firmemente mantinha fechados.

Até o dia que ela soube que ele tinha ido para o exterior em viagem de férias. Com quem?

Não precisavam dizer. Lá no fundo (mas era bem no fundo mesmo) ela sabia. Chorava e chorava muito, mas não na frente dos filhos. Não queria que eles sofressem em época de vestibular.

Ela não tinha se casado para isso, pensava.O amor deles era bonito, tiveram um casal de filhos lindos, tinham muitos amigos, uma carreira.

Ela chorava mais e se perguntava quando isso tinha começado. Se lembrou de que ficava enciumada com os telefonemas da sócia, mas ele tinha sempre negado que tivessem alguma coisa a mais do que trabalharem juntos.

Ela não sabia o que fazer. Não queria se separar, sem perceber que já estava separada há muito tempo. E porque ele então não decidia?


Ela sabia.
Sabia, tinha certeza que ele ia cair em si, se arrepender e voltar para ela como antes. Porisso não pedia o divórcio. E com essa esperança, seguia.

Vivia com os filhos, trabalhava e esperava os finais de semana como uma criança espera para ir ao parque. Nada acontecia, até que.....

Um dia, recebe o e-mail de uma amiga de muito tempo. Amiga de ambos.


Abre o e-mail, começa a ler, a tremer e seus olhos se enchem de lágrimas.


Lágrimas de dor, de raiva, de ódio, dele, da amiga que mandou o e-mail, da vida, do mundo.

Naquela pequena tela está o que ela mais temia que ele fizesse um dia, quando ligasse e pedisse para sair para conversar. Era assim que imaginava o fim.
Uma cena triste sim, mas uma cena de pessoas civilizadas, que tiveram uma vida juntos, filhos juntos, uma história.

Mas não, ali na sua frente, naquela telinha, está o pedido de divórcio, com cláusulas absurdas, enviado através de alguém para ser simplesmente assinado.


De repente, da sua garganta muda, um grito ecoou. Traspôs a parede, o prédio, as ruas, o bairro.


Fez eco em vários lugares. Os filhos ouviram; a amiga de sempre ouviu; ele e a amante ouviram, seus familiares ouviram, o mundo ouviu.


Um grito de medo, de angústia, de muita raiva guardada. De muito ódio acumulado.

Mas também um grito de libertação! 


Com o tempo, readquiriu forças, não assinou nada e começou a pensar numa socialyte que se separou há tempo atrás e que disse a seguinte frase:
"No caso da separação, senhoras, sejam fortes e independentes.
E lembrem-se: não fiquem com raiva, fiquem com tudo!"

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Risque - Orlando Silva

Risque
Meu nome do seu caderno
Pois não suporto o inferno
Do nosso amor fracassado


Deixe
Que eu siga novos caminhos
Em busca de outros carinhos
Matemos nosso passado

Mas, se algum dia, talvez, a saudade apertar
Não se perturbe, afogue a saudade
Nos copos de um bar

Creia
Toda a quimera se esfuma
Como a brancura da espuma
Que se desmancha na areia

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.
Essa postagem faz parte da Blogagem Coletiva - Sentimentos e Emoções, proposta pela Glorinha do blog Café com Bolo. Hoje falamos sobre Raiva/Ódio.

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Livros na estante

>> quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eu comentei em alguns posts que estava mudando meu escritório. Pois é, ele veio pra minha casa. Tínhamos uma sala pouco utilizada, que desde segunda-feira passou a ser o nosso local de trabalho.
Nós não queríamos que ficasse com cara só de escritório, mas sim de um local para se trabalhar em casa.

Estamos tentando. Hoje fiquei por conta da arrumação dos livros, ou melhor, de parte deles, na estante que o marido bolou e fez. Não ficou legal?
Foi muito gostoso rever os livros que estavam guardados. Agora ficarão aqui, pertinho da gente. Basta estender o braço (e subir numa escadinha) que eles estarão na mãos. Bom né?

beijos

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Transformação

>> terça-feira, 24 de agosto de 2010

"É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade.
Tudo aquilo que é contraditório gera vida."
(Salvador Dali)

beijos

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Política?

>> domingo, 22 de agosto de 2010

Desde o início eu falei que tinha feito esse blog só pra colocar coisas que gosto tipo, lugares - que eu quero ir ou que tenha ido - decoração, moda, amigos, família, praia; então política? nem pensar!
Mas acontece que às vezes não podemos evitar, principalmente agora com as eleições bem aí.

Então, li esse texto do Ruy Castro (novamente ele) e achei a idéia genial. Para quem não teve a oportunidade de ler, veja aqui o texto completo:

"Os telejornais e a internet divulgariam o resultado daquele dia: "Hoje, o presidente recebeu 94.715 antivotos, perfazendo um total de 6.211.457 antivotos depositados desde a posse por pessoas insatisfeitas com sua administração. Mas, considerando-se os 48.313.989 que recebeu ao ser eleito, ainda mantém a confortável margem de 42.102.432 votos". Se chegar a um patamar xis de desaprovação, o presidente deverá devolver o mandato e convocar novas eleições."

Não seria bom demais?
beijos

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recadinho

>> sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Olá
Em primeiro lugar eu queria agraceder aos comentários tão carinhosos sobre a postagem de hoje, esclarecer que não estou escrevendo um livro não (eu quero é estar do outro lado, editando se possível) e também para dizer que estou tentando entrar em vários blogs para ler e deixar um comentário, mas não sei o que acontece, a tela entra e some.
Então queridos participantes dessa maravilhosa Blogagem Coletiva, vou continuar tentando, ok? Não se sintam preteridos, please!
um beijo grande

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Blogagem Coletiva - Sentimentos - Auto Estima/Amor Próprio

 Papai?
- Sim, filha.
- Quando eu crescer, quero ser aeromoça, ela diz sussurrando. Está sentada no banco entre os pais, na volta de uma viagem de férias à Disney.
- É? E por quê?
- Porque outro dia a mamãe falou que eu podia ser o que quisesse, desde que eu fosse feliz, ela responde com a doçura dos seus 6 anos.
-Isso mesmo, desde que você estude pra ser o que quiser e faça bem feito também. Mas por que aeromoça?
- Ora papai, você já viu como elas estão sempre sorrindo? Então, elas são felizes. O pai sorrindo concordou e acariciou a filha, que logo em seguida adormeceu.


Ela sorri ao se lembrar. Quanto tempo tinham se passado? 20 anos? Ela hoje já trabalha e nunca mais pensou em ser aeromoça. Hoje, 2 anos após terminar a faculdade, está prestes a ser promovida de analista para gerente de marketing de uma multinacional.

Enquanto toma seu café da manhã, pensa na apresentação que fará. É um grande dia!

Mas..... e se eles não aprovarem?

Quando entrou na empresa como estagiária, já pensava em galgar carreira. Gostou já de início, quando foi chamada para a entrevista. E quando recebeu a ligação que fora aprovada, vibrou muito. Era o que queria. Feliz, contou para os pais na hora do jantar. Ainda morava com eles e gostava disso. Ambos foram muito importantes na sua educação.
Sua mãe era muito pé no chão ao passo que o pai era um tanto quanto sonhador.
Mas essa mistura fez com que sempre tivesse sonhos, brigasse por conseguir, mas sem perder o parâmetro da realidade.
Depois de um ano que tinha sido efetiva, e já com muitos amigos lá dentro, achou que era hora de ter seu canto, se reunir com a turma até tarde, sem ter que incomodar em casa com barulhos, idas e vindas dos amigos. Comunicou aos pais, se abraçaram fortemente (os três já sabendo que a saudade seria muita), mas concordando com a nova fase da filha.


Junto com uma amiga que também já morava sozinha, procurou muito até achar um apartamento que fosse como queria; decorou a seu gosto e foi se acostumando com a nova rotina. Procurava sempre jantar em casa, já que o almoço era sempre em restaurantes e descobriu que gostava de cozinhar.
Certo dia, no trabalho, soube que o gerente da sua área seria transferido. Ligou para os pais se convidando e foi jantar com eles, querendo uma orientação do que poderia fazer para conseguir a vaga.
Como sempre, saiu de lá eufórica, sabendo que o que iria fazer logo de manhã, era o certo.

Chegou cedo, conversou com a amiga, contou seu plano e se dirigiu à sala do gerente geral. Pediu autorização para uma conversa rápida, e falou que ficara sabendo da transferência do colega, e, sem modéstia disse que gostaria de ter uma chance de concorrer à vaga. O gerente explicou que tudo bem, que até já esperava por isso, mas que tinha outros concorrentes.
Assim mesmo lhe passou um projeto a ser discutido no prazo de dois meses junto com os demais, e o funcionário que fizesse a melhor explanação e fosse condizente com as diretrizes da empresa, seria escolhido para assumir o cargo.



Começou a trabalhar, elaborar planos, as horas vagas sendo preenchidas com relatórios, os amigos reclamando sua ausência, os pais preocupados com a sua saúde, já que ela frequentemente esquecia até de comer, mas sabia que era isso que tinha que ser feito. O prazo era curto para a apresentação, mas por isso mesmo sabia que era um espaço pequeno perante a vida, e ela queria alcançar a vitória.



A leal amiga trabalhou junto, ajudou muito e às vezes questionava: Você acha que vai terminar no prazo? E se ganhar, acha que vai dar conta? Ela respondia que sim, e dizia que a própria amiga poderia estar concorrendo, já que ambas tinham a mesma função. Mas a outra não queria nem saber. Tinha medo até de cortar o cabelo e que o namorado não gostasse, imagine assumir tamanha responsabilidade? Cada vez que brigavam, mesmo que não tivesse culpa, lá ia ela, atrás, como que se a desculpar! Era medo de ficar sozinha?
Era o quê isso? Não sabia!
Mas, participar de uma apresentação pra subir de cargo? Não! aquilo não era pra ela. Era insegura, sabia disso, tanto que quando alguém comentava alguma coisa sobre ela, o mundo parecia que ia desabar tamanha era sua baixa estima. Demorava dias pra passar. Achava melhor torcer para a amiga.


Afinal, tinha chegado o dia. Tinha certeza que tinha feito um bom trabalho, mas é claro que estava ansiosa, com a perspectiva.
O celular tocou, e mesmo sem olhar, já sabia que eram seus pais para lhe desejar boa sorte.
Terminou o café, colocou o vestido e o blazer que tinha separado, o sapato alto que lhe deixava mais esguia, maquiou-se rapidamente como sempre fazia, escovou os cabelos, pegou a bolsa, não sem antes verificar se tudo o que iria precisar estava lá, e foi.

No caminho, fez uma retrospectiva dos 2 últimos meses.
Tivera muito trabalho, mas também aprendera muito. Não foi para a academia como gostava, mas emagreceu sem perceber. Não estivera muito com os amigos, mas com isso deu pra saber quais eram realmente os que se preocupavam com ela. Lembrou-se também do afeto e carinho dos pais. Sem dúvida, eles ajudaram muito em sua auto confiança, em seu amor próprio.


Parou o carro no estacionamento, e subiu ao seu andar. Cumprimentou a amiga que veio ao seu encontro, dirigiu-se ao banheiro, passou o batom cor de boca da Lancôme, sentiu-se poderosa, e, confiante, dirigiu-se à sala da diretoria para sua apresentação!



A amiga olhou e pensou: Queria tanto ter pelo menos um pouquinho dessa confiança que ela tem. Eu certamente seria mais feliz.
beijos

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Lançamento de livro na Casa das Rosas-SP.

>> quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Terça-feira dia 17/08/2010 participei de um evento que me deixou duplamente feliz.
Primeiro, porque foi realizado na Casa das Rosas, aqui em São Paulo.


Para quem não é daqui, A Casa das Rosas é, desde 1.991, um espaço cultural e tem esse nome porque possuía um dos maiores e mais belos jardins de rosas da cidade.


Segundo, porque foi o lançamento de mais um livro editado pela Digitexto, empresa da qual faço parte.
LINGUAGEM DA DANÇA Arte e Ensino de Isabel A. Marques

Ainda é o início, mas tenho fé que possa crescer e termos nos próximos anos vários lançamentos, inclusive o de vocês, já pensou que Glória?

Isabel autografando o 1º livro.

Pra vocês verem que eu estava lá. Um frio!!!!

um beijo

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Eu presente, Eu futuro

>> terça-feira, 17 de agosto de 2010

Gente, hoje de manhã recebi um e-mail do Blosque-Blogando com Inteligência (site que sigo desde o meu início na blogsfera), e gostei tanto, que resolvi mostrar um trecho para vocês.

Consulte seu futuro

"Encontrei hoje dois posts que se complementam muito bem:

Set a Course e Forsaking the Future Self

Com os rumos que definimos para nós mesmos na vida, temos a tendência a abandonar o barco com frequência. Certamente, barcos fazem ajustes em seus rumos. Mas eles não cancelam a viagem na primeira onda turbulenta. Eles continuam adiante e mantêm seus planos originais de viagem.


O problema é que nosso sucesso depende da nossa relação com nosso “Eu Futuro” – alguém que não podemos conhecer, e cuja vida, no entanto, controlamos absolutamente..."

continua - http://blosque.com/consulte-seu-futuro/

Depois me contem o que acharam da relação Eu Presente e Eu Futuro, ok?
beijos

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15 hábitos saudáveis da mulher inteligente

>> segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Então é com a gente mesmo, certo?
E esses a gente já conhece, mas é sempre bom lembrar.
Bons hábitos fazem viver mais e melhor, então vamos lá:

1) Respeitar o corpo
Nada de ignorar a fome e a sede, driblar a vontade de ir ao banheiro e abrir mão de horas de sono. Além do cansaço e do stress, esses descuidos podem custar muito caro à saúde.

2) Alimentar-se bem
Isso não quer dizer se empanturrar, claro! Mas fazer 5 refeições ao dia, incluindo sempre grãos, hortaliças e frutas e tomar de 1,5 a litros de água, só vão fazer bem.

3) Fracionar a dieta
Pequenas porções várias vezes é muito melhor do que uma refeição abundante. Lembre-se de ter sempre à mão um lanchinho, como frutas secas e barrinha de cereais.

4) Fazer exercícios
Para garantir a extensa lista de benefícios dessa prática, o importante é a regularidade. Não adianta nada caminhar ou só aparecer na academia quando dá tempo.

5) Preservar o sono
Lembre-se: dormir mal afeta o humor, o raciocínio e a tomada de decisões.

6) Espreguiçar
Hum..... delícia! Eu me acostumei a despertar os músculos antes de pular da cama. É muito bom.

7) Desarmar o stress
Sobrecarregada, sem tempo livre? Nós sabemos o quanto isso faz mal. Então, que tal eleger prioridades e delegar tarefas? É um bom começo pra você abrir mão do impulso de carregar o mundo nas costas.

8) Apagar o cigarro.
Eu apaguei o meu há muito tempo. E você?

9) Usar protetor solar todo dia
Essa é uma atitude moderna e superinteligente.

10) Escovar os dentes
Esse ítem nem deveria estar aqui, não acham?

11) Controlar o peso
É preciso estabelecer uma boa relação com o alimento dissociando o prazer de comer da culpa e evitando os excessos - tanto para mais como para menos.

12) Fazer checkups
Revisões médicas periódicas detectam cedo o risco de doenças que se instalam silenciosamente.

13) Ficar em silêncio
Além de trazer autoconhecimento, a instrospecção alivia a ansiedade, a insônia e as doenças associadas ao stress.

14) Saborear a vida
A vida é um episódio só, nossa chance única neste teatro do mundo. Só temos direito a uma apresentação. E ela tem de ser gratificante (Ciro Marcondes Filho).

15) Ter amigos
Quem conta com um ombro para desabafar vive mais, adoece menos e escapa da depressão. Viver rodeado de amigos faz bem à saúde.

E como diz a música Serra do Luar, cantada por Leila Pinheiro, "viver é afinar o instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro".


Texto copiado da revista Cláudia de abril/2009.

beijos

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Blogagem Coletiva - Sentimentos e Emoções - Inveja

>> sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"INVEJA é sua forma incompetente de me admirar."

Ela olha para sua imagem no espelho e ...... gosta. Acha que falta alguma coisa, mas, ninguém é perfeito, diz consigo mesma.
Morena clara, cabelos e olhos castanhos, 1,65 m de altura, corpo perfeito. É não pode reclamar não. Tomou um sol, sua pele ficou com um bronzeado bonito.

Sabe que chama a atenção por onde passa e ela gosta disso.

Filha única de um casal bem estabelecido, já tinha começado a pensar em trabalho. Não queria depender dos pais.
Se arrumasse um namorado rico, podia até ser, mas enquanto isso, iria trabalhar.

Se veste bem, é muito paquerada na faculdade, já teve 2 namoros mais sérios e muitos ficantes. Enquanto espera o príncipe encantado (ela sabe que isso não existe) vai conhecendo as pessoas e, quem sabe?
Um dia, marcou encontro com umas amigas num barzinho pra jogar conversa fora. As amigas foram chegando e uma delas veio com outra que tinha encontrado perto dalí. A noite foi gostosa, conversaram muito, riram muito, comentaram sobre os ex, futuros, atuais e ela gostou muito da amiga que ninguém conhecia.

Trocaram telefones, e-mails e daí começaram uma nova relação de amizade.
Elas eram diferentes, mas se deram muito bem. Sabe aquela coisa de afinidade?

Conversavam muito, trocavam idéias, uma foi conhecer a casa da outra, ficaram amigas da família, tanto que as amigas mais antigas começaram até a sentir ciúmes. Mas não deixaram de se ver também. Apenas, essa nova amiga era, assim, seu complemento.

Mas, por mais paradoxal que possa parecer, enquanto mais admirava a amiga, que tinha uma vida mais simples, trabalhava já há um bom tempo, estudava à noite, sentia, às vezes, uma coisa que ela não conseguia saber o que era. Ou então, não queria admitir.

A amiga, assim como ela, também tinha cabelos castanhos, mas com reflexos mais claros, só que........

Não, não podia ser isso. Ou podia? Não, não e não.



Não é porque ela tem 1,70 e olhos verdes que eu estou assim. Não pode ser!
Mas era.
Olhos que ela sempre quisera ter, assim como os 5 cm (podia ser 3 apenas) a mais.
É porque ela achava que, se tivesse isso, seria imbatível.

A inveja começou a consumi-la.
Passou a ter dores de cabeça, simplesmente para estragar um momento. Durante um almoço ou jantar onde estavam se divertindo, seu estômago doía, ela se lamentava, e as atenções passavam a ser suas.
Ela refletia: não era sua culpa não ser mais alta nem ter os olhos castanhos iguais aos do pai. Ah! Mas ela queria tanto.
Tanto que passou a boicotar a amiga em várias situações.
Sentia-se mal fazendo isso, mas não resistia, e as coisas foram se complicando.

E num dia, quando um cara da faculdade que ela tinha começado a olhar com outros olhos, chegou e perguntou sobre a amiga de olhos verdes, não resistiu.
Inventou poucas e boas inverdades, e a amizade que tinha sido tão linda, acabou ali.

Ah! A ex amiga se casou com o cara que tinha perguntado dela, já tiveram um filho e ela já está grávida novamente, agora de uma menina, que ela espera, seja loira de olhos verdes.

Essa postagem faz parte da Blogagem Coletiva - Sentimentos e Emoções, proposta pela Glorinha do blog Café com Bolo. Hoje falamos sobre a Inveja.

beijos

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Arrumação bem mais fácil

>> quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Gente, como é complicado mudar não?
Não estou dizendo de comportamento, nem de casa, nada disso.
Estou trazendo o escritório para casa. Então, de um lugar com várias salas, estou reduzindo a uma. Uminha só!
Então estou fazendo uma limpeza e tanto. Papelada antiga, revistas, e tudo o mais que não vai caber nessa sala. Estou exercitando o desapego, só que agora, no lado comercial.
Mas acho que é legal e que vai ser bom trabalhar aqui.
Bom, mas o que vocês tem com isso não é?
É que ontem eu entrei no site da casaPro e, com essa coisa de arrumar tudo aqui, vi um comentário no twitter sobre arrumação. Entrei no site da empresa, gostei do post que a Cintia fez, e pedi a ela uma orientação.
Ela, muito gentilmente me respondeu, e me indicou esses produtos abaixo, da empresa Ordene ,que eu simplesmente adorei.

Sapateira Flexível
A sapateira flexível é a solução mas fácil e prática para organizar e proteger seus sapatos. Produzida com qualidade em com materiais respiráveis, possui capacidade para até 12 pares de sapatos.
Ideal para ser guardada embaixo da cama ou dentro do armário, economizando espaço em seu dormitório, protegendo seus sapatos e com a facilidade de poder escolhê-los com mais rapidez.
Pode ser utilizada também para guardar meias, cintos e outros acessórios em um lugar fácil de alcançar e visualizar.

 
Sacos Vac Bag
Vac Bag é a solução ideal para quem busca armazenar e organizar objetos de forma fácil, rápida e inteligente. Com ele você tem proteção contra traças, insetos, mofo, poeira, sujeira, odores e umidade. Além de todos estes benefícios o Vac Bag otimiza a ocupação de espaço reduzindo até 3 vezes o volume de objetos. Os sacos são produzidos em polietileno transparentes, que facilita a visualização do que há em seu interior. Vac Bag possui 4 tamanhos, ideal para todos os volumes de roupas, cobertores, edredons, travesseiros, roupas de cama, mesa e banho. É extremamente útil na organização em casa como também para viagens.
Adaptável a qualquer mangueira de aspirador de pó, Vac Bag é durável, impermeável, de fácil manuseio e reutilizável. Você pode usar quantas vezes desejar. Para usá-lo basta colocar os objetos dentro do saco, zipar, retirar o ar com o auxílio de aspirador de pé e pronto.
Só o Vac Bag triplica seu espaço de armazenamento, protege seus objetos e se adapta a sua necessidade.

Não é bom?
beijos

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De minha parte, eu estou aqui...

>> terça-feira, 10 de agosto de 2010

AMPLIDÃO

Deixa eu te guardar, a casa é sua
Faz em mim teu lar, me reconstrua
Queira me habitar onde eu me escondo
Faz deste lugar só seu no mundo

Eu quero ser onde você sossega a alma
E chora e ri
E encontra a calma pra sonhar, sem dormir
Vem acender as luzes que iluminam o meu coração
Vem ter comigo sua parte da amplidão
De minha parte, eu estou aqui...

Elba Ramalho



Música de Chico Cesar

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Quem não gosta de ganhar presente heim?

Ontem, segunda-feira feia, fria, cinzenta, chego em casa e o que encontro?
Um envelope a mim endereçado, diferente de tantos outros que recebo todos os dias pelo correio.

Ansiosa, olhei rápido para o remetente: Mila Viegas do Mila' s Ville.
Tinha até me esquecido. É que por ter participado da Blogagem Coletiva "Vida Simples" ela fez um sorteio, e eu fui a ganhadora.
Olhem só que bonitinho. Um bloquinho de anotações.


Agora, o mais gostoso mesmo sabe o que foi? O bilhetinho que veio junto.
Acho que sou muito saudosista. Hoje em dia, com essa coisa de internet, e-mails, twitter, MSN, Facebook, quando vejo uma cartinha, um bilhete escrito à mão.......... hum......é muito gostoso receber.
Obrigada Mila. Adorei.
beijos

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>> segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Dicas de Treinamento Comportamental do Dr. Jô
1- Você é o autor do livro da sua vida.
Que história quer contar?


2- Você é responsável pela suas escolhas.
Que caminho quer seguir?



3- Seu comportamento determina o seu resultado.
Não existem erros, apenas resultados insatisfatórios.


4- Sua emoção é o seu filtro supremo de seu relacionamento com o mundo.
Você vai perceber o mundo de acordo com a qualidade de suas emoções.
Que tipos de sentimentos têm sido mais comuns em sua vida?


5- Suas crenças controlam sua vida, e você é aquilo que acredita ser.
Suas crenças são a base de seus pensamentos, utilize crenças mais fortalecedoras e você terá mais poder a cada dia na realização daquilo que deseja.


6- Cuidado com crenças limitadoras e com emoções negativas, elas vão restringir sua capacidade de superação.
Acreditar naquilo que nos causa sensação de incapacidade, insegurança, fragilidade, entre outras coisas é fortalecer aquilo que nos destrói.


7- Mude suas crenças e mude a sua vida.
Como fazer?
Levante seus padrões.
Mude suas crenças limitadoras.
Mude sua estratégia.


8- Estabeleça um alto padrão de referência.
Tenha por modelo a excelência.


9- Comprometa-se a ser o melhor que você pode ser.
Ninguém tem mais poder para fazer isso que você mesmo.
10- Ouse fazer de sua vida, uma vida EXTRAORDINÁRIA!
A escolha é sua!


Dr. Joseraldo Furlan - Dr. Jô é conferencista internacional, médico, especialista em desenvolvimento comportamental, professor de Pós Graduação em Medicina Comportamental da Escola Paulista de Medicina - UNIFESP

beijos

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Blogagem Coletiva - Sentimentos e Emoções - DESEJOS

>> sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ela olha no relógio novamente. 17h15.
Desde que recebeu o telefonema, as horas parecem não passar.
Tenta terminar o trabalho do dia. Olha o relógio novamente.

Trânsito. Ela se olha no espelho do carro. Passa as mãos no cabelo. Anda um pouco. Liga o rádio, e vai mudando de estações sem quase prestar atenção até que começa a ouvir "Só uma coisa me entristece, o beijo de amor que não roubei, a jura secreta que não fiz, a briga de amor que não causei ...".

Continua ouvindo a música e percebe que andou um bom tanto. Olha o relógio, acelera, pára. Se olha no espelho e pensa que precisa passar mais um pouco de batom.
Anda, olha o relógio novamente e pensa que ainda está dentro do horário. Coração agitado percebe que falta pouco para chegar. Mas o trânsito está um caos.
Vai dar tempo? E se não chegar a tempo e ele for embora. Será? Não, ele vai esperar.

Nunca se encontraram a sós, sempre com amigos ao lado, mas ultimamente seus olhares andavam se encontrando demais.
E hoje, aquele telefonema.
Ela tinha um desejo imenso de encontrá-lo. Precisava vê-lo, para quem sabe, descobrir o que era aquele sentimento que tinha tomado inteiramente o seu corpo, sua mente.

Anda mais um pouco e chega. Desliga o carro, passa um brilho nos lábios, passa a mão no cabelo, fecha o carro e vai em direção ao shopping.
Por que no shopping, se pergunta?

Começa a subir as escadas, olha no relógio e vê que está dentro do horário.
Chega ao andar combinado, coração aos pulos, e começa a procurar.
E se ele não vier?
Então, começa a andar como quem não está nem aí, e procura.

De repente, pára. Se sente observada. Do outro lado está ele, com um olhar tão sedutor, observando-a inteira. Ela se sente nua. Encosta-se-se à parede como a esperar que ele chegue, mas também porque tem medo de não se segurar.
Ele se aproxima, sorri, e meio sem jeito e sem saber o que falar pergunta:
- Olá,.... pegou muito trânsito?
- Sim, responde ela.
- Então, ..... vamos sentar, tomar alguma coisa?
- Vamos sim.
Eles procuram uma mesa, se sentam, se entreolham, se ajeitam.
Sem saber direito o que dizer, colocam as mãos em cima da mesa, ela arruma o porta-guardanapos.
- O que você quer tomar, ele pergunta.
- Não sei. Você vai tomar o que?
- Ah, sei lá. Vou esperar o garçom trazer o cardápio e resolvo.

Silêncio. Se estivessem num local com menos barulho, daria para ouvir a respiração ofegante dos dois. Sem tirar os olhos dela um instante sequer, ele diz:
- Sabe, ontem eu estava vendo um programa na TV (as mãos como que tivessem imãs se encontram) e ........... eu não consigo mais parar de pensar em você, eu penso em você o dia inteiro, eu....
- Eu também, ela diz, apertando mais sua mão.
- Vamos sair daqui, diz ele, levantando-se em seguida e puxando-a da cadeira.



Ela pega a bolsa e o segue. Andam rápidos, passam pelas pessoas, sem enxergar ninguém. Descem as escadas, sorrindo um para o outro, apertando-se as mãos e chegam à porta da saída.

Ele a puxa de encontro ao seu corpo, fita os seu olhos, olha sua boca, seus lábios se aproximam e então trocam o primeiro beijo. Ela sente o coração dele disparado, e ele pergunta:

 - Vamos para outro lugar?
E ela trêmula responde: No meu carro ou no seu?



Vídeo com Elba Ramalho e Marieta Severo
Música de Chico Buarque

Essa postagem faz parte da Blogagem Coletiva - Sentimentos e Emoções, proposta pela Glorinha do blog Café com Bolo. Hoje falaremos sobre Desejos.

beijos

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