Todo o sentimento

>> quarta-feira, 29 de setembro de 2010

24/12/87 - Trabalhamos no banco até as 11 hs, saí fui até a garagem pegar meu carro. Ele me seguiu disfarçadamente e me convidou para almoçar e é claro que eu aceitei.
Ele, é hoje o meu marido. Naquele dia era apenas uma pessoa por quem eu era completamente apaixonada. E disfarçadamente é porque não queríamos que ninguém da empresa soubesse desse nosso envolvimento.
Agora hoje eu me pergunto, será que conseguíamos mesmo disfarçar?
Acho que não, porque quando estamos apaixonados, ficamos bobos, mesmo sem querer damos bandeira, olhares sonhadores, procuramos motivos para ficar juntos, então o disfarçar não adianta quase nada.
Mas.... não era sobre isso que ia falar.
Saímos e fomos a um restaurante. Estava cheio mas logo desocupou uma mesa, sentamos e ele me deu um presente com um pedido: Se eu queria ser sua namorada.
Gente, foi muita emoção, juro.
Fizemos nosso pedido e ficamos ali frente a frente, enamorados, mãos dadas, clima de Natal, barulho das pessoas dentro e na rua, quando de repente... um som começou a se fazer ouvir, olhamos ao lado procurando, era uma canção, o som foi aumentando enquanto o barulho das pessoas ia diminuindo, então vimos: duas mesas ao lado da nossa, um casal, provavelmente namorados como nós, mãos entrelaçadas e ela olhando fixamente pra ele, cantava, alto e em bom som, essa música:

Todo o Sentimento

Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e C. Bastos

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.


Juro que na hora fiquei com inveja. Porquê eu não sabia cantar assim? Mas se soubesse, teria essa coragem? Não... tenho certeza que não teria. Mas estava tão lindo...
Quando terminou, o restaurante inteiro aplaudiu e eu estava emocionadíssima com todo aquele clima, então disse para o então namorado:
Ah! que pena não ter sido eu a fazer essa homenagem.
E ele: - Ainda bem, porque se isso tivesse acontecido (esse mico, ele quis dizer), hoje nós não estaríamos iniciando uma relação, eu estaria é acabando com tudo. rsrsrsrsrs
Até hoje, quando lembramos desse momento ele diz: essa música é tão linda, ela tinha que fazer o cara passar tanta vergonha?

E vocês mulheres, fariam isso?
E vocês homens, gostariam ou também achariam o maior mico?

beijos

17 comentários:

Gina 29 de setembro de 2010 22:02  

Macá, acho que não faria... Mas deixa eu te contar uma coisa. Estive num lugar lindo uma vez, ao ar livre, e violinos tocavam uma música maravilhosa. Me deu uma vontade de sair dançando, que você não imagina!
Bjs.

@Flafli 29 de setembro de 2010 22:02  

Oi Macá!!!! Que história linda! Que romântico... típico de história de amor contada em filmes e livros. Ter uma música também é maravilhoso. Que o amor de vocês seja eterno!

Eu e meu marido nos conhecemos na empresa também. Já faz 8 anos que estamos juntos (destes, 3 casados). Não tenho uma história emocionante como a sua para contar... na verdade nossa vida está mais para uma comédia... mas isso eu conto outro dia...

Com relação à pergunta, sou muito tímida, não sei se teria coragem...

Beijo!

tidassvovo@gmail.com 29 de setembro de 2010 22:06  

Macá,
Um ditado diz: 'para cada pé torto tem um chinelo velho'.Se o namorado morreria de vergonha e terminaria tudo antes de começar, em compensação a moça não sabia cantar!
Nasceram um para o outro!
Bjs

Macá 29 de setembro de 2010 22:20  

Gina
Que delícia, mas eu também não sairia dançando não!
Se bem que, a gente vai amadurecendo e vai se permitindo fazer coisas que antes não faria. Então até pode ser.
um beijo

Macá 29 de setembro de 2010 22:21  

Flafli
Como assim, não tem uma história pra contar? Pensa bem! Você deve ter acumulado várias nesses 8 anos.
Eu já contei algumas aqui.
Mas como eu disse, também não teria coragem não.
um beijo

Cantinho da Cê 29 de setembro de 2010 22:29  

Macá,

OLha que eu apaixonada sou capaz de loucuras, não sei não se não cantaria para um restaurante cheio uma canção de amor...rsrsrsrs

Que linda recordação!!!!

Beijos,

Macá 29 de setembro de 2010 22:43  

Tida
É verdade, ainda bem não?
bjs

Macá 29 de setembro de 2010 22:44  


Que legal, eu adoraria ser assim; mas cada um do seu jeito.
Eu tenho mesmo alguns bons momentos.
Já falei sobre outros por aqui.
beijos

Beth/Lilás 30 de setembro de 2010 00:38  

Olha que coincidência, eu e marido também nos conhecemos na empresa e disfarçamos até o dia em que entreguei os convites para o nosso casamento. Meu chefe não acreditou quando falei para ele que o futuro marido trabalhava no mesmo prédio, no andar mais abaixo.
Sempre fomos discretos, portanto esta linda cena que você presenciou, achei-a também linda e interessante, marcante mesmo, tanto para o homem que a recebeu quanto para os que assistiram tudo, porém não me vejo numa situação assim, fazendo esta declaração em público e meu marido teria a mesma sensação que o teu, constrangimento e eu jamais o deixaria constrangido nem que fosse para expressar meu amor total.
Aliás, penso que o amor deve ser resguardado, como um tesouro muito valioso do casal.
beijãozão carioca

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez 30 de setembro de 2010 03:36  

Macá, vc vai editar um livro seu? seus contos e relatos cada vez estão mais gostosos de ler.

esse eu gostei muito.
esses dias eu vi um casal fazer algo parecido.

tava a moça tomando café sozinha e entrou um rapaz com um violão. cantou uma música romântica e depois uma música tradicional japonesa de casamento. dai o garçom trouxe uma aliança.
todo mundo aplaudiu qdo a moça recebeu a aliança e disse aceitar o pedido rs.

foi lindo mesmo
bjs

Chica 30 de setembro de 2010 07:38  

Eu, certamente não faria, mas aplaudiria a coragem.

Eu prefiro as coisas bemmais íntimas...beijos,chica

Macá 30 de setembro de 2010 09:47  

Beth
Pois é, a gente tentou disfarçar por um tempão, mas depois, já estávamos juntos mesmo, dai não precisávamos nos esconder mais.
Mas essa cena foi mesmo marcante, tanto que quando ouvimos essa música, o passado retorna ahahahah
So que antes eu não tinha um blog pra poder comentar.
um beijo

Lenita Vidal Porcelanas 30 de setembro de 2010 09:49  

Olá Macá,
Cada situação tem sua beleza própria!
Não acho mico, mas não teria tutano pra fazer algo parecido.
Gosto de surpreender com algo mais sutil.
Uma atitude inesperada, íntima e particular.
Todos já podem ver nos olhos de quem ama, não acho que haja necessidade de expor publicamente.
Mas qualquer iniciativa é válida, sem dúvida, é melhor que nada fazer!
Beijos, bom dia pra você, colorido.
Lenita

Isadora 30 de setembro de 2010 14:09  

Macá, provavelmente, eu acharia lindo ver uma homenagem assim, mas certamente não teria coragem, mas como nada nessa vida é certo, vai que um dia desses, eu ou ele nos empolgamos e saímos a cantar.
Em casa cantamos muito, um para o outro - rs!
Um beijo

Palavras Vagabundas 30 de setembro de 2010 14:19  

Macá,
eu pagava para ver a cara dele se você cantasse!Se algum dia for tentar algo parecido me avisa.
bjs

Macá 30 de setembro de 2010 14:44  

Ale
Isso que você contou parece mais uma cena do filme "Love Actually" aqui no Brasil traduzido como "Simplesmente Amor", você viu?
É quando o cara inglês, aprende a falar português para pedir a mão da amada,em pleno restaurante em Portugal onde ela trabalhava. A cena assim como o filme são maravilhosos. Toda vez que passa na TV eu assito.
um beijo

manuel marques 30 de setembro de 2010 16:14  

O amor ,querida amiga,faz ladrar um cão em verso...

Beijo.

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