A hora de acabar

>> segunda-feira, 4 de julho de 2011

1º) Ela acordou, desceu rápido as escadas e foi direto para a cozinha preparar o café. O marido sairia em meia hora, tempo em que tomavam o café da manhã juntos e conversavam coisas do dia-a-dia.
Logo depois ele aparece na cozinha, expressão séria e sem se sentar na cabeceira da mesa como sempre fazia diz:
- Estou indo embora.
Ela se vira, olha pra ele, percebe alguma coisa diferente no seu semblante e pergunta:
- O que foi que disse?
E ele responde, olhando fixamente pra ela:
- Estou indo embora.
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2º) Eles se casaram depois de 2 anos de um namoro com muita paixão. Por causa da profissão, moraram em vários estados. Tiveram 3 filhos. Quando ele cansou de viajar mudou de emprego e se estabeleceu numa cidade do interior.
Um dia, chegou em casa do trabalho e sem mais rodeios disse à mulher:
- Estou saindo de casa, vou me separar de você.
A mulher, pálida e sem entender nada, ainda questiona:
- O quê? Como? Porquê? O que aconteceu?
Bom, pra resumir. No emprego novo ele se apaixonou pela secretária e estava se separando pra ficar com ela.
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3º) Jovens e apaixonados eles se casaram e tiveram um casal de filhos.
Enquanto ele trabalhava ela cuidava da casa e das crianças.
Dava gosto de ver a dedicação de um com o outro. Construíram uma casa maior, viajaram bastante, ela sempre com as melhores roupas, jóias, até que um dia......... ao chegar em casa ela o encontrou no quarto com 2 malas na mão.
Sem entender, perguntou pra onde ele iria viajar, ao que ele responde:
- Estou indo embora. Nosso casamento acabou.
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Esses três casos acima, super resumidos, eu presenciei em fases distintas da minha vida. E é claro que cada um teve um desfecho, mas os três se separaram mesmo, como era o propósito.

Como eles conseguiam viver?
Eles, sem demonstrar que estavam insatisfeitos, ou continuando a agir como se nada estivesse acontecendo?
Elas, sem perceber nada ou fazendo de conta que não estavam percebendo?

O fato é que, muitos casamentos terminam e isso sempre é ruim para ambos, mas geralmente e pior para um só. A parte que não esperava ou que não queria que isso acontecesse. E essa pessoa sofre mais, MUITO mais.


Hoje, lendo a última página da revista Veja São Paulo, li esse artigo do Ivan Angelo que achei bem interessante e vou repartir com vocês:


A hora de acabar


“Eu desconfio que o nosso caso está na hora de acabar, há um adeus em cada gesto, em cada olhar, mas nós não temos é coragem de falar.”

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Foi assim, de forma perfeita, que a cantora e compositora Dolores Duran descreveu, numa canção lançada há exatamente 52 anos, uma das circunstâncias mais difíceis da vida dos casais, a separação. Juntar é um momento bonito, adornado de esperanças, de renúncia ao individualismo, de abertura de espaços, generosidades, delicadezas, desejo; se parar é o oposto, divide o movimento que era empurrar para a frente e cada um puxa para um lado, os dois são roçados por incertezas, dormem com a desilusão, acordam com a dúvida, almoçam com o desgosto, jantam com a culpa.


Só o grosso total se sente bem na hora da separação. Não chega ao momento descrito na canção, quando, por delicadeza ou incerteza, falta coragem de falar. Busca mulheres transitórias, para exercer sua prepotência e poder dizer: “Se manda que você não está agradando”. Apresentaram-me um grosso desses, que se vangloria de só conversar com mulher para trato ou destrato por intermédio de seu advogado. Quando a “companhia” (ele nunca diz “companheira”) passa no teste da primeira semana, entra o advogado e explica: se a relação durar um mês, ela tem direito a um anel de brilhante; três meses, a um Fiesta; um ano, a um BMW; cinco anos, à metade do que está no nome dele, que não é muito. Aceita? Assina. Nunca houve caso de BMW, é outra bravata dele, entre risadas.

Esqueçamos os grossos. Pessoas sensíveis e corretas também podem desamar, ou o amor pode desviar o olhar. Se a parte física do amor acaba e fica só a amizade segurando a relação, o amor pode ter olhos para outro amor — e aí, vai calar? São as pessoas que celebram compromissos e juras; o amor, eterno enquanto dura, nem sempre assina embaixo. O amor se compromete é com a atenção, a gentileza, o bom humor, o carinho, o calor, o desejo satisfeito, a mesa essencial, a solidariedade, o capricho na relação. Tudo isso pode faltar, e então os olhos procuram outros olhares.


Chega a hora de falar, o momento de um dos dois arranjar outro pouso. Se a casa for um esforço dos dois, um penoso entendimento decidirá o pouso de cada um. Havendo filhos, não há o que discutir, eles ficam; um dos pais se torna visita, por mais que se tenha aplicado para construir aquilo.

Há pessoas difíceis de deixar, mesmo entre as corretas. Sabem que já não são felizes, mas a perspectiva de solidão as assusta. Exigem uma explicação, como se a insatisfação mútua não bastasse. A cobrança custará semanas ou meses de desentendimentos e acusações, conforme o fôlego que tiverem, e não consertará a relação.

Sei de uma jovem, bonita e decidida, que desistiu da relação com um rapaz complicado e se cansou de discuti-la. Para cortar a onda de porquês, fulminou-o:

— Porque virei gay! Aquilo encerrou a cobrança, deixou-o estupefato por muitos dias. E era mentira.

Por medo de uma cobrança insana, em que muitas vezes dói ver a ex-pessoa querida se humilhar, ou mesmo por covardia, muitos somem, após dizer que vão à esquina comprar cigarros. Outros saem para o trabalho e deixam um bilhete; alguns viajam e mandam uma carta. Cara a cara é mais difícil falar.


Há homens que não se conformam com a separação, perseguem a ex, ameaçam até bater em quem estiver com ela. Só guarda-costas ou psicanálise resolvem. Há também mulheres que não aceitam o fim, continuam a aparecer nos lugares que ele frequenta. São tristes casos mal resolvidos que talvez uma terapia de separação tivesse aliviado.


Boa parte da ficção moderna, dos romances, do teatro, das novelas, trata desse tema. Já não há o que dizer sobre isso, mas os autores insistem. Porque terminar um caso que durou algum tempo é separarmo-nos de uma parte de nós mesmos, da pessoa que fomos durante esse tempo e que vamos deixar para trás.
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E você, já viveu um momento desses?
Conhece histórias de separação parecidas com as que eu contei? Quer contar?

um beijo

6 comentários:

Celina Dutra 4 de julho de 2011 19:30  

Macá,

Post lindo como são todos os seus! Tudo que o autor disse no texto é verdadeiro. Já passei por uma separação, após cinco anos de casamento. Acabou porque tinha que acabar, a relação ficou monótona, chata e eu disse que havia terminado. Fui perseguida, enfrentei revólver na cabeça, meus filhos e eu fomos chantageados... mas sobrevivi feliz, inteira e meus filhos também! Foi uma das decisões mais acertadas da minha vida.

Excelente semana!
Girassóis nos seus dias!

Beijo!

Beth/Lilás 4 de julho de 2011 19:59  

Ah, cara amiga, pois eu vi neste final de semana uma pessoa assim, com o olhar perdido, completamente arruinada física e mentalmente porque o marido que ela amava tanto, alguns anos atrás, disse adeus, não queria mais ficar junto depois de 40 anos de casada. Ela tem 3 enfermeiras que a cuidam dia e noite, uma pessoa de posses, mas completamente arrasada.
É de cortar o coração, mas existem pessoas que não enxergam ou não querem enxergar o que está acontecendo à sua volta e um belo dia ...
Muito bom o post, adorei!
beijos grandes, cariocas

Bel Rech 4 de julho de 2011 20:02  

Macá...
É triste uma relação acabar assim, mas se não dá mais manter, deve acabar infelizmente.Quem sofre é os filhos, quem os tem..
Talvez alguns conseguem sair bem, outros nem tanto, mas o tempo se encarrega de acertar os ponteiros...
paz e bem

Iram M. 5 de julho de 2011 13:52  

Conheço tantas, Macá.
Agora nenhuma como as daqui. Nossa, como os austríacos são práticos. Quando eu tiver com mais tempo conto algumas.

Saudades!!!
Ai meu Deus, Não vejo a hora de voltar. Quer dizer: que o verão não me escute.
Beijos, querida

Gina 6 de julho de 2011 17:03  

Acho que todos conhecem casos assim, de separações que geram perseguições, violência. Se até pessoas que têm vidas muito expostas, aparecem na mídia cometendo atitudes assim, com a população em geral não é diferente.

Quanto à sua pergunta sobre a MFP, tem fases que uso bastante, tem fases que esqueço. No ínício, fazia pão seguidamente nela, com o ciclo completo. Depois passei a usá-la mais para bater a massa, que me poupa o esforço, modelando e assando no forno convencional. Mas acho vantagens em tê-la, principalmente para quem quer acordar com um pão quentinho.
Bjs.

pensandoemfamilia 7 de julho de 2011 17:54  

Oi querida
Conheço dezenas e alguns nem a terapia deu conta . O tercho da música citada “Eu desconfio que o nosso caso está na hora de acabar, há um adeus em cada gesto, em cada olhar, mas nós não temos é coragem de falar.” Muitas vezes fala bem alto. Quando as pessoas fdeixam de investir na relação, ela mingua e se esvaiiii.
Gostei da forma como abordou o tema.
bjs

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