Twitter, Facebook e o Apocalipse

>> quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Local próprio para fingir que se trabalha
(imagem: google)
"AS COISAS não vão nada bem no hemisfério Norte. A Grécia foi pra cucuia, Portugal e Espanha estão no vinagre, e, na Irlanda, os únicos habitantes que fizeram alguns caraminguás em 2011 foram os quatro integrantes do U2. Até os EUA, quem diria, ameaçaram dar um calote global, o que levou a agência Standard & Poor's a divulgar que a grande potência está mais pra "poor" do que pra "standard".
     Diante dos abalos econômicos e da ameaça de recessão mundial, acusam-se os suspeitos de sempre: a esquerda vê o fim do capitalismo, a direita vocifera contra a ineficiência do Estado. Eu, contudo, cronista independente, sem outro compromisso senão com a verdade -e com minha pequena, claro-, sei que a culpa não é dos negociantes nem dos políticos: a culpa, meus caros, é das mídias sociais.
     Vamos admitir: desde que inventaram o Facebook e o Twitter que ninguém mais trabalha, só finge -uma hora, ia dar problema. Se o hemisfério Norte quebrou antes de nós é porque se enredou primeiro nessas arapucas do Demônio, mas não demorará para nos estrumbicarmos também: afinal, o dia-padrão de um trabalhador brasileiro não é tão diferente do de um americano ou europeu.
     Vejamos: você chega ao trabalho, senta-se diante do computador e, antes de começar suas tarefas, resolve dar uma checada rápida na "homepage". A "home" traz uma fofoca sobre o comportamento sexual de uma cantora pop, e você imediatamente pensa numa bobagem para tuitar. Abre o Twitter, escreve.
Passa então a clicar, de dez em dez segundos, no "your tweets retweeted" -como um ratinho de laboratório, acionando a barra de glicose-, pra ver se gostaram da sua piada. Infelizmente, em 15 minutos, só um retuíte. Você decide preencher a carência que subitamente lhe bateu indo até o Facebook: vai que alguém lhe deixou um recado, na madrugada? Nada, ninguém quis lhe dizer coisa alguma nas últimas 12 horas.
Você descobre, contudo, que a Juliana Pereira, sua ex-colega de ginásio, postou as fotos do feriado, na praia. Você se lembra dessa Juliana, era bonita, e quando dá por si está há uns três minutos vasculhando as imagens da moça, na esperança algo adolescente, algo senil, de vê-la de biquíni. Não achando nada além de filhinhos sorridentes e uma ou outra foto artística de conchas, com efeitos gráficos do iPhone, decreta que é, enfim, hora de começar a trabalhar. Mas, já que ficou tanto tempo no Facebook, por que não dar só uma passadinha no Twitter, ver se, nesse meio tempo, alguém te retuitou, ou comentou seu tuíte? Nada, ainda, mas um amigo colocou um link para uma propaganda belga de cerveja, muito engraçada. Quando vai ver, já está na hora do almoço, e o dia nem começou.
     Agora, caro leitor, some todo o tempo que você tem perdido nessas inúteis perambulações virtuais ao tempo de todos os outros milhões de internautas, calcule o prejuízo em dólares, euros ou reais, e o resultado é uma bela recessão global. Reajamos enquanto é tempo: ou a gente acaba com as mídias sociais, ou as mídias sociais acabam com a gente!
     PS- Meu amor, a história da Juliana Pereira é meramente ilustrativa, real apenas no terreno da ficção. Espero que compreenda."

Texto de Antonio Prata, publicado na Folha de São Paulo em 10/08/2011


beijos

6 comentários:

Gilmara Wolkartt 11 de agosto de 2011 19:30  

Ei Macá!
Adorei o post!
Gd beijo

Lizete Delmonte Ferraz 11 de agosto de 2011 20:28  

Oi, Macá! vim te retribuir a visita e o gentil comentário e encontro uma mulher inteligente, irônica e sagaz!
Adorei seus textos (li alguns).
Belíssima participação a sua lá na Norma, parabéns!

Quanto ao texto, concordo 100%.
Recentemente abriram um FB para mim e já está paradinho. Incrível a quantidade de besteiras que rolam por lá. E pessoas que eu nunca imaginava! uma amiga inteligente, culta, só posta besteiras ou fotos de viagens pro exterior. Incrível a falta do que fazer. Eu não vicio em coisas ruins, por isso, ele já está bem abandonadinho. Mas concordo, é preciso acordar as massas. E não é falta de cultura. É gente inteligente, o que me deixa mais perplexa!
Um beijo e pode esperar retorno
Liz (Como as cerejas da minha janela)

Valéria 11 de agosto de 2011 21:49  

Oi Macá!

Texto inteligente, sensacional! O pior é que é verdade estamos sucumbindo às redes sociais.

Beijo!

Lúcia Soares 11 de agosto de 2011 22:54  

Macá, que texto delicioso! Estou fã desse Prata, viu?
Acho que é mesmo por aí, né? As pessoas estão mergulhadas nessa telinha do computador! Eu, se me deixam, fico por horas! Agora é que parei um pouco, pois tenho prioridades. Mas meu tempo ocioso é passado sentada em frente à telinha, o que tem me chateado um pouco. Tem tanta coisa boa pra se fazer e se ver, né? rsrsr
Beijo!

Celina Dutra 12 de agosto de 2011 09:14  

Macá,

O autor foi delicioso na sua ironia! Mas, está correto. O tempo que se perde por aí... e na maioria das vezes só lendo inutilidades!

Girassóis nos seus dias!
Beijos

Palavras Vagabundas 12 de agosto de 2011 17:09  

kkkk
Sou meio atrasada só tenho email e um blog, já tá de bom tamanho. O Prata tem toda razão esse pessoal todo devia ir trabalhar.
bjs
Jussara

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