Sandices

>> terça-feira, 13 de março de 2012


E-books, Ipads para ler um livro? O que é isso?
Isso quer dizer que o pergaminho vai "sair de moda"?
Quanta besteira...



Gazeta da Jerusalém, século I d.c.

"Há duas semanas não se fala em outra coisa: de Damasco a Jericó, da Judéia à Galiléia, aquém e além Jordão, todos discutem a nova tecnologia que, segundo seus criadores, vai revolucionar a forma como lemos.

Para aqueles totalmente desinformados, que passaram os últimos dias saqueando cidades vizinhas, degolando gentios ou fazendo libações a Deus, explico: trata-se de um bloco retangular, mais ou menos do tamanho de um tijolo, embora mais fino, a que chamam de “livro”. A novidade tem conquistado tantos adeptos que já há quem anuncie o fim do pergaminho.

A maior diferença do “livro” em relação ao bom velho rolo é o conceito de “página”: em vez de o texto ser desenrolado continuamente, como fazemos há mais de mil anos – muito eficientemente, diga-se de passagem – o “livro” desmembra a escrita em centenas de retângulos de papel. Para passar de um parágrafo ao outro, quando se chega ao fim da tal “página”, é preciso virá-la e recomeçar a ler no verso da mesma, lá em cima, o que, segundo alguns estudiosos, interrompe o fluxo da leitura e compromete seriamente a compreensão do texto.

Os defensores do tal “livro” dizem que sua superioridade em relação ao pergaminho reside principalmente em sua capacidade de armazenamento. Enquanto nossos rolos chegam a no máximo dez metros, um “livro” pode conter centenas de “páginas”, o equivalente a dezenas de pergaminhos. Ora: para que eu quererei levar por aí tanta informação, se só consigo absorver uma palavra de cada vez? Além do mais, se pretendo ler dez ou vinte rolos, digamos, num fim de semana no Mar Morto, basta pedir a um escravo que amarre em nosso jumento o baú ou vaso onde os guardo, antes de partirmos.

Outra vantagem que os aficionados à nova tecnologia não se cansam de apontar é a facilidade de se achar um texto rapidamente, dada a existência da tal “lombada”. Se bem entendi, trata-se de uma das superfícies do “livro”, oposta à que se abre, onde pode-se escrever o título da obra. Ah, filisteus! Não sabem que o prazer da busca reside no caminho percorrido mais do que no objeto encontrado? Nunca viveram a delícia de tirar todos os rolos dos vasos e desenrolá-los, e na procura de um texto dar de cara com outros há muito lidos e esquecidos, e rememorar os dias da mocidade, quando o mundo era calmo e seguro, não havia cristãos rebelando-se nem invenções cretinas ameaçando a ordem?

Ouçam o que eu digo, filhos de Deus: nós lemos muito bem com o pergaminho por mais de um milênio e não há por que supor-se que assim não o faremos até o fim dos tempos. “Livro” é invencionice desses cristãos novidadeiros e um e outro devem desaparecer antes que você termine de ler o rolo de sua preferência. Páginas?! Lombadas?! Messias?! Quem acredita nessas sandices?
(Antonio Prata)

E você, acredita nisso?

beijos

3 comentários:

Telma Maciel 13 de março de 2012 19:17  

Só digo uma coisa: eu AMO um livro!!! E não gosto de ler a partir de uma tela... já li umas vezes, mas ali é que não consigo captar o texto!
Lendo esse texto q vc postou até acredito que no pergaminho seja mais fácil captar... enfim: PAPEL! Livro tem q ser com papel! Senão não dou contA! rs
Beijo

Valéria 14 de março de 2012 13:29  

Oi Macá!
rsss Excelente!
A novidade sempre assusta não é? Fico com o livro de papel mesmo, não por não aceitar o avanço, mas pelo apego material ao livro mesmo, ao prazer de escolhê-lo na estante da livraria e saborear página a página.rsss
Beijinhos!

nany 18 de março de 2012 11:17  

Amo novidades, mais acho que livro sempre sera o velho livro que poe na estante e depois em uma pausa lê capitulo por capitulo, folheando pagina por pagina...
adoro ler livros !!!
um beijo e um ótimo domingo

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