Pense Melhor

>> terça-feira, 30 de abril de 2013

"...COMO SE PODE SER TÃO IDIOTA? ..."
(ilustração de Bebel Franco)

Qual a coisa mais preciosa do mundo? Não é dinheiro, nem amor, nem poder, e vou dar uma pista: não tem forma, nem cheiro, nem cor, não pode ser emprestada, nem dada, nem comprada. Não se vive sem, mas muitos fazem bobagens, um dia precisam dela para viver, mas aí pode ser um pouco --ou muito-- tarde. Adivinhou?
     As pessoas começam a fumar cedo: porque é moda, para mostrar que não seguem as modas, ou por qualquer coisa tão boba quanto. Aconteceu comigo.
     Fumei todos os cigarros a que tive direito, e houve um momento em que escadas e ladeiras viraram um verdadeiro suplicio. O curioso --e trágico-- é que nunca nenhum amigo (e foram muitos), ao me ver assim, me disse que o problema era o cigarro.
     E como eu não sabia, quando parava para descansar, num café ou num banco de rua, relaxava fumando mais um cigarro, ai ai.
     Há alguns anos fiquei mais ou menos e parei, claro. Quando voltei a me sentir bem, achei que fumar um cigarrinho ou dois não me faria nenhum mal, e tive pequenas recaídas. Como sou ansiosa, e se puserem uma caixa de chocolates perto de mim vou comer até o último, com os cigarros é a mesma coisa --sem comentários.
     Comecei então a inventar pequenos truques: comprava dois cigarros no varejo, na banca de jornais; à noite, se fosse preciso, comprava mais dois. Dessa forma, eu achava que havia vencido o vicio, mas se algum amigo tirava um maço do bolso eu me atirava como se fosse a mais miserável viciada em crack.
     Houve vezes em que, num restaurante --no tempo em que ainda se fumava em restaurantes-- eu via alguém fumando, chegava perto e dizia, na maior simplicidade, "eu deixei de fumar, será que posso filar um cigarrinho?"
     Não há maior solidariedade do que entre viciados, sejam eles em cocaína, heroína, ou nicotina. As pessoas a quem eu pedia um cigarro eram todas simpáticas, nunca nenhuma delas me disse não; sempre sorrindo, cúmplices, compreensivas.
     A vida foi correndo solta, até que em uma viagem a um país onde cigarros não são vendidos no varejo, comprei um maço. Foi o primeiro de muitos; voltei péssima, as coisas tinham ido além do limite. Tive medo, parei no tranco, mais uma vez, e entendi que com vícios não dá para brincar.
     Hoje, quando vejo uma pessoa fumando na rua tenho vontade de parar, sacudi-la pelos ombros e contar o que foi o cigarro na minha vida. Mas lembro que quando ouvia um discurso contra o fumo, acendia um, só para provocar; como se pode ser tão idiota?
     O cigarro é um vício traiçoeiro: custa barato, pode ser comprado em qualquer botequim, e não é crime. Além disso, é --aparentemente-- o companheiro na hora do estresse, da solidão, da festa, da tristeza, enfim, de todas as horas.
     Eu me convenceria de que o cigarro não faz mal se visse, numa reunião de diretoria de um Marlboro da vida, quando são discutidas as novas técnicas de marketing para aumentar as vendas, todos fumando. Aliás, se fosse um só diretor, já me convenceria.
     Dá para acreditar que alguém ponha um tubinho na boca, acenda e aspire, várias vezes por dia, sabendo que --é inevitável-- um dia vai sofrer de falta de ar?
     Como eu dizia, a coisa mais importante que existe na vida não tem cheiro, nem forma, nem cor, e não se compra com dinheiro nenhum: é o ar que se respira.
     P.S.: Quanto mais cedo você parar, melhor, mas é sempre tempo. Para mim, foi.
(Danuza Leão - publicado na Folha de São Paulo - Caderno Cotidiano em 21/04/13)

Não fico fazendo discursos, nem dizendo pra meus parentes e amigos não fumarem. Também já fumei e parei num momento que achei importante para minha saúde e dos que estavam a meu redor. Mas fico com o PS da Danuza: Sempre é tempo, e quanto mais cedo........ MELHOR.

beijos

8 comentários:

Claudiene M.A. Finotti 30 de abril de 2013 13:21  

Oi Macá!

Eu sou suspeitíssima para opinar, tenho quase 40, nunca fumei, tenho birra total porque desde criança era obrigada a conviver com cigarros em casa sem gostar. Meu pai fumou desde criança, morreu de câncer no pulmão dia 17 de dezembro de 2011. Claro que a causa foi o cigarro, mas claro que enquanto ele fumava e não tinha câncer os amigos solidários e até médicos mais antigos davam um jeitinho de dizer que não faria mal, e ele por conveniência seguia os conselhos. Depois de doente tentou, mas não conseguiu. Fumou até o último dia de vida, quando um infarto o levou, mas claro, foi consequência do câncer, já que todo o seu organismo estava bem debilitado.
Meu pai tinha 59 anos, três netinhos pequenos que ele idolatrava, 1, 2 e 9 anos, sendo que o mais velho ele que cuidava, junto com minha mãe. Infâncias sem avô, tudo por culpa do maldito cigarro e da segurança dele que o câncer nunca chegaria.
Enfim, desculpa esse desabafo no seu post, mas acho importante esclarecer as pessoa que não há glamour em perder a saúde.

Beijos.

Clau Finotti

Lúcia Soares 30 de abril de 2013 16:38  

Macá, meu pai era fumante desde os...7 anos de vida. Levou surras "homéricas", comeu cigarro (meu avô o obrigou...) mas só parou depois dos 60 anos de idade. Morreu aos 74, de um AVC. Tinha saúde de rapaz, mas uma tosse que nunca o abandonou e o AVC foi consequência do calibre estreito das veias, causado pelo fumo.
Meu marido é fumante desde os 16 anos, já parou por 3 períodos, um dos quais ficou 5 anos sem fuma...Mas nunca falava que tinha parado, falava só que "tinha dado um tempo" e realmente voltou com tudo.
Criei meus filhos com ele fumando, mas nunca dentro de casa nem perto deles. Eles detestavam o cheiro. Daí, um belo dia "descobri" que minha segunda filha estava fumando, já há uns 3 anos, desde os 16 anos... Foi um baque, chorei horrores, ela parou,mas voltou. Depois se casou e o marido tinha pânico de cigarro, ficou mais de 3 anos sem fumar, voltou, e depois da filha parou mesmo. Mas sempre penso na fragilidade que o vício impõe a uma pessoa.
O texto da Danuza é perfeito.
Beijo!

Misturação - Ana Karla 30 de abril de 2013 17:46  

Fumar é mesmo o fim.
Meus pais foram fumantes, mas largaram a mais de 30 anos.
Eu também já fumei, mas nunca fui viciada. Acredite, por anos fumei e nunca me viciei. Comprava carteira de cigarro que durava dias, até semanas. Fumava num dia, passava dois, três, quatro, uma semana, um mês sem fumar. Só fumava quando queria, mas sair pro barzinho naquela época, era sinônimo de muitos cigarros na noite.

É isso aí, todos tem que acabar com esse vício e os que não conhece, nem provar.

Xeros

Beth/Lilás 1 de maio de 2013 01:42  

Num cridito amiga, cê voltou?!
Adorei o texto, aliás já o conhecia, tenho este livrinho da Danusa, gosto do modo como ela escreve, simples e direto.
Meu pai, foi como a da Lúcia, fumava desde os 9 anos e foi assim até os 55, deixou de fumar, mas morreu cedo, aos 63 de embolia pulmonar, enfraquecido que estava dos pulmões.
Eu, na juventude andei fazendo charme, porque naquela época, anos 70/80 era moda, era fashion, e eu sempre fui ligadinha na moda, mas aí, quando conheci meu marido que nunca gostou nem do cheiro, fui parando ou fumando um ali outro aqui, meio escondido, escovando sempre os dentes para não deixar furo e não tinha um cinzeiro em casa para não deixar pistas, mas quando eu resolvi engravidar, parei imediatamente com esta besteira.
Hoje, percebo que a classe pobre é a que fuma mais, as pessoas estão bem mais conscientes, não há um só colega de trabalho de meu marido que durante uma reunião saia para fumar, nenhum fuma, meu filho também não e quando vejo uma mulher na minha faixa de idade fumando, além da pena, acho de uma inconsequência aliada à cafonice. Fumar é totalmente fora de moda!
rssss Uma vez falei isso para uma amiga e ela se tocou, não queria ficar fora de moda afinal. Melhor assim, não? rsss
beijos cariocas


She 22 de maio de 2013 11:03  

Oi querida! É... vícios são sempre muito difíceis de largá-los, sejam eles quais forem até mesmo uma coca-cola. Adorei o post, pois sempre vale de alerta, embora eu nunca tenha sido fumante, mas já fui viciada em coca-cola.
Beijo, beijo!
She

Luma Rosa 27 de maio de 2013 11:09  

Oi, Macá!
De todos os vícios, o cigarro é o mais difícil de largar, mais até que outras drogas e mata! Somos ingênuos em achar que somente os outros ficarão doentes por eles, mas digo, o sedentarismo mata mais que o cigarro e com o uso constante da internet, a morte ronda cada vez mais as casas. O que dizer sobre isso? Que somos preguiçosos quando o assunto é saúde e que não existe prevenção contra a morte, porém, existe prevenção para não se ter uma morte sofrida.
Boa semana!!

Rabisco 9 de junho de 2013 16:05  

Olá!
Esta é a página do Facebook do meu novo livro de poesia "Em Teus Olhos Seria Vida".
Gostava de poder contar com o teu "gosto" na minha página.
Obrigado!

www.facebook.com/EmTeusOlhosSeriaVida

ou em:

poesiafaclube.com/store/josé-manuel-pereira-"em-teus-olhos-seria-vida"

=)

Sheyla - DMulheres 18 de julho de 2013 04:47  

Macá,

Belo texto da Danuza... a família aqui tem muitos fumantes, não é?? Mas, pros viciados, não adianta falar, que o pai , o tio, o avÔ, morreram de câncer de pulmão... Não há nada que os faça parar. UM ia, vão sentir na pele o peso do cigarro, infelizmente.

Bjos, sua linda.

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