A arte de ser infeliz

>> sexta-feira, 15 de março de 2013

Texto de Sergio Riede falando sobre a Arte de ser Infeliz
     Quando lecionava Relações Humanas nos cursos pra caixas-executivos do Banco do Brasil, na década de 1980, eu já utilizava alguns trechos do livro Sempre Pode Piorar ou A Arte de Ser Infeliz, de Paul Watzlawick. Achava interessante refletir sobre a forma como reagimos ao que acontece a nossa volta. Não sei por que voltei a pensar nisso recentemente. Aliás, acho que sei. Navegando em redes sociais, lendo comentários que leitores postam sobre notícias em jornais impressos e na internet, ouvindo comentários de pessoas próximas, tive acesso a uma espécie de reciclagem ou pós-graduação na arte de ser infeliz.

     Sim, porque ser infeliz é uma arte e não é pra qualquer um! A pessoa tem de saber ignorar todas as possibilidades de escolha que possui. Necessita aprender a terceirizar a culpa com muita perspicácia. Agora com a internet está um pouco mais fácil exercitar o azedume. A infelicidade está ao alcance de todos! Tem gente que usa pseudônimo e vira um aguerrido militante de sofá. Contra tudo e contra todos. Até contra o tempo! Se fizer calor, reclama que está quente. Se esfriar um pouquinho, pergunta onde vamos parar com esse clima. Se não chove, diz que o mundo vai acabar. Se a chuva cai, esbraveja contra a chatice da falta de sol.

     O sujeito graduado na arte de ser infeliz acredita que é sempre o último que o garçom vê; que o outro motorista (seu adversário!) saiu de casa decidido a lhe torrar a paciência; que o Brasil é o pior país do mundo em tudo; que a empresa onde ele entrou depois de batalhar pra passar em um concurso disputadíssimo é a pior do universo; que os sindicatos estão sempre tramando contra ele; que as entidades de funcionários não fazem nada do que ele deseja; que os parentes querem se aproveitar dele; que seus filhos são uns ingratos; que seus empregados são indolentes; que seus chefes têm orgasmos só de pensar em lhe prejudicar. Uma pessoa que sabe ser infeliz de verdade nunca diz do que gosta, não tem o seu partido político de confiança. Geralmente, só fala do que detesta, do que lhe causa nojo. Para ela, os outros são “aquela corja”. Mas ela não costuma colocar nada no lugar do que não gosta. Basta odiar, basta destruir, basta vociferar e está tudo resolvido!

     No entanto, é preciso reconhecer: não é mole pra essa pessoa imaginar um cenário onde todo mundo conspira contra ela! Não é fácil esse alguém ter uma autoestima tão elevada a ponto de fazê-la se sentir, talvez sem perceber, o ser mais perseguido do universo. Porque, vamos combinar, pra ser vítima deste tanto, a pessoa só pode se sentir alguém muito importante, não é mesmo?

     Não sei se vocês têm se deparado com alguém assim por aí! Eu temo que sim. E faço um esforço danado pra não ver gente assim refletida em meu espelho. Mas não é fácil, porque a tentação é grande.

     Quando acontece algum fato desagradável com a gente, podemos reagir de muitas maneiras diferentes. Podemos esbravejar, lamentar, nos desequilibrar, nos conformar com a posição de vítima, ou podemos tentar manter conosco o poder de administrar nosso humor. Ok, nem sempre isso é fácil! Mas vamos pensar juntos: se a gente sai de casa feliz em uma bela manhã, dirige o carro ouvindo uma música gostosa e leva uma fechada de um motorista distraído, vale a pena transferir a esse motorista o poder de definir nosso humor no momento? Ou quem sabe o humor que vai tomar conta da gente o dia inteiro?

     Circula pela internet uma tal de Teoria 90/10, atribuída ao escritor Stephen Covey. Não gosto de nada que pareça receita de bolo. Não sei com que modelo matemático o autor teria chegado à equação 90/10. Mas parece que faz bastante sentido o raciocínio: segundo a teoria, apenas 10% das coisas que acontecem com a gente são fatos. Os outros 90% são as reações que temos diante desses fatos. E é o tipo de reação que temos diante das adversidades que define o tom que damos a nossas vidas. Nem sempre dá pra aliviar diante de algo que nos parece ofensivo. Mas, na maior parte do tempo, a gente poderia gerenciar melhor nosso quociente de felicidade. Ou de alegria. Ou, no mínimo, de serenidade.

     Que a gente possa realizar coisas interessantes e produtivas, juntos, neste ano que se inicia! E que nosso humor permita que a gente seja um pouco mais dono do próprio destino.


Sergio Riede
Presidente da ANABB
Fonte: Açâo - Jornal Anabb

beijos 
e um ótimo final de semana

10 comentários:

kesia 15 de março de 2013 17:09  

LINDO POST, AMEI SE DER TUDO ERRADO É SÓ TENTAR DNOVO E DNOVO E QUANTAS VEZES FOR PRECISO PENSO ASSIM E TER A CERTEZA QUE DIAS MELHORES VIRÃO N É MESMO? AMEI PARABÉNS!

Orvalho do Céu 15 de março de 2013 18:53  

Olá, querida Macá
Hoje conversávamos uma amiga e eu sobre isso... agradecíamos a Deus o dom da nossa vida e tudo de bom que Ele nos dá... estávamos na Praia das Dunas em Cabo Frio e aquela água azul turquesa nos fazia refletir... filosofar e sermos imensamente gratas porque a vida é boa demais!!!
Nada como um dia após o outro!!!
Bjm de paz e bem

Virginia lucia domingues 15 de março de 2013 18:57  

gostei muito do comentário.... e é como vc diz há pessoas que se prendem num espiral de coisas e fatos ruins que acontecem em suas vidas e fazem questão de não sair dalí mesmo que vc tente em mostrar a elas que sempre há um outro caminho a percorrer...com carinho e obrigado por compartilhar..... beijocas

Margaretss 15 de março de 2013 23:33  

Perfeito este post...
Eu estou cansada de pessoas que cultivam a infelicidade e corro delas.
Parabens...
Beijinhos
Margaret
(ahhh...vou divulgar depois no meu blog ta?)

Adelaide Araçai 19 de março de 2013 15:14  

Adorei...

E sabe o que percebi? É que conforme nos tornamos mais positivos, as pessoas negativas vão sumindo...alguns entram na mesma onda e começam a serem mais positivos e os que não conseguem desaparecem..

Abraços

Chris Ferreira 19 de março de 2013 15:32  

Adorei o texto! Vou compartilhar!
beijos
Chris

António Jesus Batalha 21 de março de 2013 10:23  

Ao passar pela net encontrei o seu blog, estive a ler algumas coisas e posso dizer que é um blog fantástico,
com um bom conteúdo, dou-lhe os meus parabéns.
Se desejar faça uma vista ao Peregrino e sevo e deixe o seu comentário.
Sou António Batalha, do Peregrino E Servo.

António Jesus Batalha 21 de março de 2013 12:44  

Ao passar pela net encontrei o seu blog, estive a ler algumas coisas e posso dizer que é um blog fantástico,
com um bom conteúdo, dou-lhe os meus parabéns.
Se desejar faça uma vista ao Peregrino e sevo e deixe o seu comentário.
Sou António Batalha, do Peregrino E Servo.

Gina 25 de março de 2013 21:15  

Oi, Macá!
Pessoas assim costumam minar as energias de quem está à sua volta.
Não consigo crer que tudo está perdido. Acho que sou uma eterna otimista.
Boa semana!

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