VIDA

>> segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Deseje o melhor. Espere o pior.
A vida é uma peça para a qual não fomos ensaiados.
(Mel Brooks)
beijos

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Diário da Dilma - III

>> terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Você está acompanhando o Diário da Dilma? Está gostando?
Bem, eu rio muito cada vez que leio (ou releio). 
Já publiquei o de janeiro e o de fevereiro. Vamos agora ao mês de março.
Todos foram publicados pela revista PIAUI.


A musa fashion e o lacaio da burguesia

1º DE MARÇO_Começou o mês das mulheres. Para comemorar, cozinhei no programa da Ana Maria Braga. Escolhi omelete para romper mais uma barreira: quero acabar com a ignorância machista dos que chamam o prato de “o” omelete. 
Pena que o Tarcísio Meira não estava no Projac. Sou louca por ele. 
À noite, vi o teipe do meu desempenho. Me achei rechonchuda, com papada. Vou começar uma dieta que vi numa Marie Claire. Chama “Detox”, e a revista diz que “enxuga o corpo e deixa a pele iluminada”.
3 DE MARÇO_Guido ligou logo de manhã para avisar que o PIB cresceu 7,5%. Fiquei tão animada que saí deslizando pelo salão. Mamãe, que preparava uma vitamina de kiwi com gérmen de trigo e mel da dieta do Detox, comentou que não me via tão alegre desde que me levou na TV Tupi para ver o programa Pim Pam Pum. A vitamina era horrível. 
Acho que vou começar o regime só depois do Carnaval.
5 DE MARÇO_Todo mundo acreditou que vou passar o Carnaval na Barreira do Inferno. Vou é cair na gandaia. A fantasia de freira ficou um pouco apertada, mas coube. 
Fiquei hospedada na casa de umas amigas, no Catete. Chamei o esconderijo de “aparelho” e brincamos de usar nomes de guerra. Escolhi “Rebeca” para mim. Fomos ao Cordão do Bola Preta.
Começo a dieta na Quarta-feira de Cinzas.
10 DE MARÇO_Minha tia preparou um mix de linhaça, gergelim e semente de girassol. Agora, vai! Religuei o celular e havia oito mensagens do Lula e duas do Eike. 
À noite, me peguei pensando no Lobão e bateu uma melancolia. Sinto que estamos nos afastando. Resisti ao ímpeto de pegar o pote de sorvete de flocos e fiquei ligada no BBB mascando damasco seco.
11 DE MARÇO_Liguei para o Lula para pegar dicas de como lidar com as centrais sindicais. O Lula é safo: falou para eu dar um abraço apertado no Paulo Pereira e chamá-lo de Paulinho. E para usar a palavra “peãozada” e prometer um churrasco no Torto.
15 de março_Me vi na Hebe. Não foi à toa que minha mãe ficou louca com as joias dela. E que plástica benfeita. Mas fiquei com vergonha de perguntar quem fez. Estou impressionada com minha desenvoltura. A entrevista foi café com leite. Tirei de letra. Já me sinto preparada para discursos de improviso e usar metáforas culinárias. Acho que vou dispensar o João Santana, um baiano muito do careiro.
16 DE MARÇO_Estou aflita com o Japão. Mas é um belo pretexto para pedir ao Lobão um relatório sobre energia alternativa. Marquei um jantar para quinta. Vou pedir sopa de quinoa com legumes. Quero montar a mesa, à luz de velas, colada no Abaporu.
Convoquei uma reunião com a equipe que vai me assessorar para receber o Obama: Palocci, Celso Kamura e o Santana. Chegamos a um consenso de que devo vestir vermelho para mostrar que não vou me render à paleta de cores capitalista. O Kamura recomendou usar um xale para sugerir que posso ceder em alguns pontos. 
Quase tive um ataque quando vi o Mercadante dando opinião sobre as usinas de Angra. Só me faltava essa! O Lobão, tão didático, tão seguro, já tinha explicado tudo. Vou dar uma enquadrada no Mercadante. Como se já não me bastasse o Mantega, que não sabe falar com o mercado, só com porteiro de prédio.
Geraldo Alckmin veio me ver. Pedi para colocarem o olho grego que ganhei da Hebe debaixo da mesa. Comecei o papo perguntando se a filha dele tinha arrumado um emprego depois da falência da Daslu. Na despedida, perguntei como estava o Kassab. Ficou com cara de tacho, o picolé de chuchu.
Estou com os pés inchados. Acho que é retenção de líquido.
17 DE MARÇO_Me encontrei com mais uma loira pop. Tal de Shakira. Não fazia ideia de quem era. Falei em espanhol e ela ficou encantada com a minha fluência. Pena que não soubesse guarânias. O Palocci queria porque queria ser apresentado à loira. Nã-na-ni-na-não! Como se eu não conhecesse a peça...
Soltei minha segunda metáfora: disse que o crescimento econômico não pode ser um “voo de galinha”. Estou besta de ver como isso é eficiente: saiu em todas as manchetes. 
Kamura veio com a ideia de convidar FHC, Itamar, Collor e Sarney para o almoço com o Obama. Concordei. Pra quê! Michel Temer ouviu e tentou botar na lista a sogra, três tias, cinco vizinhos e doze diretores de estatais. Tasquei-lhe uma metáfora e uma metonímia. Lobão desmarcou o jantar na última hora porque madame Nice, a sua digníssima esposa, estava com enxaqueca. As mulheres realmente têm sexto sentido.
Dia de dormir cedo. Obama e a Michelle chegam às sete e meia da matina. Americano tem mania de fazer tudo cedo. Eles jantam às seis da tarde, pode? Ô gente jeca!
A balança informa: emagreci 237 gramas. Estou nos trinques.
19 DE MARÇO_Impressionante a opulência da comitiva americana. Há um trailer, escondido da imprensa, só com vestidos para a primeira-dama. Lá dentro, dizem, há dois galões de laquê. Pedi para o general dos arapongas investigar essa tecnologia.
Assim que subiu a rampa, Obama roçou aquele beição no meu cangote e sussurrou, com voz grave: “Hello, prisidenta.” Quase tive um piripaque. Arrepiada dos pés ao topete, só retomei a consciência quando reparei no sapato chinfrim da Michelle.
Modéstia à parte, dei um banho na Michelle. Ela chegou com um vestidinho, meu Deus, que não dá para ir na feira! Depois inventou um brocado dourado. Coisa cafona, brilho de dia. E o backsidedela, então?
E falei, falei tudo que estava aqui na garganta. Eles querem vender pra nós, mas não querem deixar a gente vender pra eles. É, bebé, mamar na gata você não qué, né? Falei mesmo. Lógico que com educação porque senão o Patriota ia me atormentar.
O Lula fez forfait. Sempre querendo aparecer, mesmo não aparecendo. Melhor assim, porque eu ia ter que fazer sala para a Marisa, que não entenderia o trocadilho que soltei em cima do Obama: I like Eike.
O Fernando Henrique foi um doce comigo. Que homem fino e bem-apanhado. Pena que seja um lacaio da burguesia.
Vou tomar um sal de frutas porque essa ideia do Patriota de baião de dois com picanha e vinho Valduga foi de matar. Estou entalada até agora.
20 DE MARÇO_Minha mãe ficou superamiga da sogra do Obama. Trocou várias receitas. Preciso saber como a Michelle mantém o peso. Lula mandou um SMS: “Presidenta, desculpe a ausência. O pneu do carro furou quando eu saía de casa.” Nem vou responder.
Engordei 540 gramas. Maldita Detox!
25 DE MARÇO_Obama ligou. Constrangido, disse que a Malia estava com suspeita de dengue. Antes que eu pudesse responder, Michelle tomou o telefone das mãos dele. Estava muito nervosa.
26 DE MARÇO_Essa confusão do Kassab vai sobrar para mim! Mais um apoio ao governo e mais pedido para ajudar os aliados, sei... Esse pessoal pensa que DAS dá em árvore?
27 DE MARÇO_Recebi minhas amigas do cinema. Notei que a Marina Person botou um vestidinho vermelho parecido com o que usei quando o Obama veio me ver. Reparei também que algumas estavam de xale. É a Dilminha, musa fashion do Planalto!
29 DE MARÇO_Recebemos a notícia no Porto, quando o Lula contava o desfecho de uma piada de português. O Santana, no telefone, gritava, desesperado: “Vocês precisam chorar! Chorar muito!”  Não sei se vou conseguir: fico uma arara toda vez que penso que ele não reconheceu a filha.
Continua na semana que vem...
beijos

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parabéns Cláudia

>> segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Hoje é aniversário da minha sobrinha afilhada Cláudia. 
Ela é uma pessoa que sempre me surpreendeu.
Quando era pequena, ficava muito tempo em casa com a minha mãe. Meu pai já tinha falecido, meus irmãos todos já tinham se casado, eu trabalhava o dia todo, e ela ia no primário e depois voltava pra minha casa.
Éramos grande companheiras.
Aqui, na frente da minha casa e em passeios pela cidade

No dia que foi conhecer o zoológico de São Paulo (sim, eu já fui magra um dia)
no dia da primeira comunhão, com a minha mãe e uma amiga
no aniversário de um ano do meu filho Ivan, em que preparou toda a festa, 
da decoração, do feitio do bolo e docinhos
na festa de casamento de um sobrinho - primo dela
E por que ela me surpreende?
Porque tinha um jeitinho meigo com crianças. Muitas vezes meus outros sobrinhos iam pra nossa casa e ela reunia todos, levava para o quintal, e lá, com uma lousa na parede, dava aula aos menores. Se saia briga, ela estava ali pra apaziguar.
Um dia, ela devia ter uns 12/13 anos, com os lábios muito secos, fomos andar na Rua do comércio, paramos numa perfumaria e eu disse que ia comprar um batom para ela. Pedi para a atendente, e a Claudia me disse: ah! deixe-me ver os componentes.
Eu ri, porque até aquele dia, eu nunca nem tinha pensado nisso e essa atitude me marcou.
Casou-se cedo, aos 19 anos, e quando o Ivan nasceu, eu passei um bom tempo na casa da minha mãe, e ela esteve comigo o tempo todo. Fotografava e filmava quase todos os momentos daqueles dias.
Quando resolvi fazer a festinha de 1 ano do Ivan lá na casa da minha mãe, ela se ofereceu pra fazer tudo. Eu concordei, claro, mas até ali não tinha ideia de que ela sabia fazer essas coisas.
Mas ela me explicou que, como tinha dado aulas em escolinhas infantis - o que era óbvio que iria acontecer - tinha aprendido a fazer enfeites, decoração de mesas, fora o fato que gostava de fazer doces.
E há um tempo atrás me surpreendeu ao criar o blog artemel bolachas fazendo coisas maravilhosas além de deliciosas.
Eu bem que tentei "roubar" umas fotos do blog pra mostrar pra vocês aqui, mas não consegui. Vocês vão ter que entrar lá e ........... apreciar, querer, desejar e ficar com água na boca.
Vejam e depois me contem, tá?
Claudinha, parabéns pra você, e que você continue a ser essa menininha que aparenta ser, caprichosa, meiga, que esse dom de fazer coisas lindas continue a te acompanhar, que a cada dia mais clientes provem suas delícias, mais amigos venham te abraçar e que você seja muito, mas muito feliz ao lado do seu marido e filho.
Da madrinha que te admira e te ama, muito.
um beijo, com carinho.

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É veneno, sirva-se

>> sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

28% dos vegetais contêm agrotóxico errado ou demais  
Das 2.488 amostras de vegetais analisadas pela Anvisa no país, em 2010, 28% apresentam resíduos de agrotóxicos em níveis inaceitáveis ou substancias não aprovadas para o produto. 
O levantamento foi feito em todos os Estados, exceto em São Paulo, que não quis participar da avaliação. A ingestão prolongada de alimentos com agrotóxicos pode causar câncer, problemas neurológicos e malformação fetal. (Folha de S. Paulo 07/12/11)
1º lugar - Pimentão com 92%

2º lugar - Morango com 63%
3º lugar - Pepino com 57%
4º lugar - Alface com 54%

É assustador não é? 
Por isso que nós aqui em casa resolvemos transformar nosso jardim em horta e estamos muito felizes com isso.
* * *
A lista feita pela Anvisa é de frutos,
raízes e folhas com toxicidade porque
não houve vigilância da Anvisa
* * *
Agradeça. A sua vida e as dos seus filhos e netos recebem, nesta semana, informações claras sobre o valor que têm, tanto para os poderosos daqui, como para os poderosos do mundo afora. E, gentileza extra, não escondem os seus critérios simples e imbatíveis.
     Aqui, desde ontem, você e nós outros temos a graça de receber a informação -só possível em saudável regime democrático- de que cerca de um terço dos vegetais de nosso consumo recebe agrotóxicos acima do limite "inofensivo" ou proibidos de todo.
     Há um modo mais singelo e prático de formular a informação: pagamos por alimentos e recebemos veneno. E o ingerimos. E o damos de comer a nossas famílias. E os apresentamos como delícias -morango (63% de agrotóxico), abacaxi (33%), alface (54%), mamão (30%), e tomate, pepino, arroz e feijão, couve, maçã, cenoura, e alimentos e venenos indistintos até chegar aos 92% no pimentão.
     Outro conhecimento útil: você está no limiar da pior criminalidade. Envenenar aos poucos, à maneira amorosa das velhinhas de histórias policiais inglesas, também é crime. Até estes dias, sua inocência estava assegurada por desconhecer sua bondade venenosa. Agora você sabe o que compra e leva para casa, e dá à família a título de alimento e prazer.
     A liberação democrática das informações sobre nossos nutrientes diários deve-se a um prestigiado setor do governo, chamado Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa para os íntimos.
     Vigilância, como? A relação assustadora que a Anvisa organizou é de frutos, raízes e folhas com toxidade porque não houve vigilância da Anvisa. Nem sobre a venda e a compra dos agrotóxicos nem sobre seu uso.
Lá em Durban, imitação muito incompleta do Rio, na África do Sul, a conferência da Convenção do Clima já está na segunda semana. Os sinais que lhe seriam necessários para o acordo global estão em todos os continentes. À vista, sob diferentes formas, de todos os povos. Muitos destes recebendo, com os sinais, padecimentos multiplicados na duração, na intensidade e nas previsões. Mas nenhum povo ou país está isento de efeitos negativos já em curso.
     Os mesmos poderosos que clamam por providências para a defesa da atmosfera e do clima, sobretudo pela redução das emissões de CO, fazem tudo para desentender-se. Ou para impedir o entendimento alheio, ainda que de pouca valia na necessidade do entendimento global. Esses poderosos são outra forma de tóxicos, com traços físicos apenas semelhantes aos humanos.
     Aqui, o agrotóxico é usado com plena consciência, para apressar as safras, reduzir o trabalho contra infestações e dar ao produto aparências mais sedutoras (em troca das qualidades de sabor e nutrição). O envenenamento deliberado é sinônimo de maior lucro, portanto.
     Em Durban, a permanência dos efeitos deletérios sobre o planeta e os seres vivos significa manter e aumentar o lucro (empresarial e nacional) proveniente da prática de danos ambientais. Todos em Durban, como nas conferências anteriores, deixam seus motivos em total evidência.
     Embora por esses meios, estamos mais informados sobre o que valemos para os poderosos. Fique o agradecimento que me compete, pelas informações. PS: São Paulo não quis dar a conhecer, para o levantamento da Anvisa, os dados sobre uso e presença de agrotóxicos no Estado, maior e mais lucrativo produtor de hortifrútis do país.

(Janio de Freitas nasceu em Niterói(RJ). Colunista e membro do Conselho Editorial da Folha desde 1988, trabalhou em diversas publicações, como revista "Manchete", "Jornal do Brasil" e "Correio da Manhã". Janio recebeu diversos prêmios jornalísticos, entre eles o Esso e o Internacional Rei de Espanha).
Publicado na Folha de São Paulo - Poder  - 08/12/11


beijos

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Diário da Dilma - II

>> terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Na semana passada publiquei o primeiro capítulo do "Diário da Dilma". Se você perdeu pode vê-lo aqui.
Divirta-se.


A manicure e o sonho de valsa

30 DE JANEIRO_Ai, estou tão feliz com minha primeira viagem internacional como presidenta! Botei aquele LP da Emilinha Borba para servir de trilha sonora enquanto arrumava a mala. Dobrei com cuidado a blusinha de seda zebrada.
Lula ligou com uma lista imensa de pedidos para comprar no free shop. Disse que a Marisa adora alfajores.
Não contava com a turbulência. É chato não ter ninguém para pegar na minha mão. O Edison Lobão teria algo gentil para fazer nesse momento. 
31 DE JANEIRO_Cristina estava chiquérrima, supercheirosa. Vou pedir para aquele general que é chefe dos arapongas descobrir o perfume que ela usa e como faz para esconder as pontas duplas. O saldo foi bom: acertamos acordos bilaterais, trocamos dicas de botox e peguei uma receita de empanadas cordobesas.
1º DE FEVEREIRO_Balanço do primeiro mês: até agora só o Lobão e a Marta Suplicy me chamaram de “presidenta”. Como recompensa, vou encarregar a Marta de organizar o Dia Internacional da Mulher. O que é do Lobão está guardado.
Preciso trocar esses sofás escuros do gabinete. Toda vez que olho para eles me lembro do fhc. Têm um carma muito ruim. Vou chamar um estofador e fazer uma reforma.
Temer ligou para indicar um estofador ligado ao PMDB de Sergipe. Aceitei: às vezes é preciso ceder. Cinco minutos depois, o estofador chegou, acompanhado de quatro assessores e dois primos. Um deles perguntou se eu queria uma massagem nos ombros.
2 DE FEVEREIRO_Tudo certinho com o discurso na Câmara. Espero que os deputados entendam o recado: depois do superaumento que aprovaram para eles mesmos, não sobrou nada para o salário mínimo. 
Estava louca para pedir um autógrafo ao Tiririca, mas o pessoal aqui achou que pegava mal.
Assim que Sarney venceu a eleição do Senado, chegou um bilhetinho dele: “Vou enterrar todos vocês.” Fazer o quê? O maranhense é profissa.
3 DE FEVEREIRO_Chegaram as camisetas para o camarote do Gilberto Gil no Carnaval. Pedirei para o Herchcovitch cortar as mangas. Sérgio Cabral também me convidou para o Sambódromo. Prometeu que desta vez não vai beber. Sei, sei.
4 DE FEVEREIRO_Quando cheguei, todos me esperavam com cara de assustados. Ninguém queria contar do apagão no Nordeste. A Miriam Belchior criou coragem, contou e xinguei até a quarta geração dela.
Quando retomei a serenidade, pedi um copo d’água com açúcar e meio que pedi desculpas. Fui ao banheiro e saquei da bolsa o envelope que o Lula me deu no dia da posse, aquele com o aviso “Abrir somente em caso de emergência”. O recado, escrito à mão, dizia: “Telefonar para o João Santana.”
Telefonei. Ele disse que ia botar umas notas na imprensa falando que reagi com frieza, não aceitei as explicações e exigi um relatório detalhado. 
5 DE FEVEREIRO_Não aguento mais falar de salário mínimo, outro abacaxi que o Lula me deixou. Fazer reunião com esse pessoal do Paulinho me cansa. E ainda tem o Paim, aquele chatonildo.
Saíram as notinhas do Santana. Não é que colou? A Miriam continua chateada comigo.
7 DE FEVEREIRO_Estreei o Café com a Presidenta. Me deu um nervoso e tive de repetir o texto sete vezes. Vamos ver se agora “presidenta” emplaca.
Por falar em café, mandei reduzir a verba do Supremo. O chantilly para o Gilmar Mendes era um exagero. Voltaram os digníssimos juízes à boa e velha garrafa térmica.
10 DE FEVEREIRO_“De noite, eu rondo a cidade a te procurar, sem te encontrar.” Acordei com essa música na cabeça. Será que o Lobão vai ao aniversário do PT?
Na festa, li para o Lula e o Santana a coluna do Jabor comparando os presidentes e concluindo que sou muito melhor. O Lula só faltou fazer xixi nas calças de tanto que ria.
O Santana mandou servir coxinha, tubaína e quibe do Habib’s. O bolo foi doado pelo Eike Batista. O partido tem que dar impressão de austeridade, disse o Santana. Tudo bem, mas a sidra Cereser me deu uma azia que nem te conto, e o bolo era mais chinfrim que a peruca do Eike.
12 DE FEVEREIRO_ Que fofa a foto, nos jornais, do Lula num avião comum. Mandei botar como descanso de tela no meu computador.
14 DE FEVEREIRO_Cheguei atrasada no serviço: a manicure foi lá em casa e a minha mãe quis fazer a unha primeiro. Tive que brigar com a minha tia, que também queria passar na frente. Resultado: cheguei com as unhas borradas e a Miriam fez questão de notar.
16 DE FEVEREIRO_Hoje tem votação do salário mínimo. Chamei o Temer na minha sala e o fiz sentar no sofá estofado pelo PMDB sergipano. Ele entendeu o recado.
Passei o dia tensa. Coloquei a Isaurinha Garcia no último volume e escrevi um relatório sobre energia eólica para relaxar. Quando vi, tinha comido uma caixa inteira de Sonho de Valsa.
Temer ligou para dizer que “o PMDB conquistou uma vitória magna”. A petulância do bofe...
19 DE FEVEREIRO_Noite de sabadão no cineminha privê do Alvorada: ê, vidão! “Valeu a pena ter pegado em armas”, disse o Lobão no terceiro uísque.
O Lula, abelhudo, estragou tudo: chegou sem avisar e trouxe o Sarney, o Santana, o Vicentinho e uns 35 sindicalistas. O filme, escolhido pelo Santana, foi O Discurso do Rei. A mensagem é óbvia: sem marqueteiro não se vai a lugar nenhum. No fim, o Lula fez um discurso me imitando, todo gago: “Nã-nã-nã. (pausa) Não. Te-te-te-ter (pausa) gi-gi-gi (pausa) versarei!” Anotei o nome dos que se escangalharam de rir. O Sarney ficou roxo, mas não deu nem um sorrisinho. É um profissa, realmente.
21 DE FEVEREIRO_Aniversário da Folha à noite. Ter que confraternizar com paulistas, tucanos e jornalistas, ah, meu querido diário, essa nem o Lula encarava. E ainda por cima vou perder o paredão do BBB.
Pouquinho antes da festa da Folha, o Palocci mandou um SMS: “Evite opiniões sobre o Oriente Médio, a taça das bolinhas e o novo corte de cabelo do Justin Bieber.” Deu tudo certo. O Palocci é ninja, entende de paulista como ninguém. 
22 DE FEVEREIRO_Acordei mais cedo para tomar café sossegada. Mas minha mãe e minha tia, que andam de morte, já tinham comido todo o pão de queijo. Com esse calorão me deu a maior vontade de entrar na piscina, mas o Kamura falou que o cloro ia desmanchar meu look Carolina Herrera. 
23 DE FEVEREIRO_Preciso escolher a roupa que vou usar quando a Michele vier. A Marcela do Temer recomendou um estilista de Mato Grosso que faz coisas tipo indígenas. Disse que preciso prestigiar a moda étnica. Não sei não: parece que índio dá azar.
24 DE FEVEREIRO_Para evitar briga com a minha mãe, saí cedíssimo. E quem estava no meugabinete, sentado na minha mesa, fuçando no meu computador? O Lula, claro. Ficou hiper sem graça, falou que estava passando e resolveu dar uma olhada no e-mail. Fingi que acreditei e ele saiu com o rabo entre as pernas. 
Aproveitei que estava com o computador aberto e votei no paredão do Big Brother. Aquele pedaço de mau caminho que é o Rodrigão não pode sair de maneira alguma. Nem o pão do Wesley. Fora, Adriana!
25 DE FEVEREIRO_O Temer ligou para contar que o tal estilista índio que a Marcela indicou é do pmdb e daria um excelente presidente da Funai.
26 DE FEVEREIRO_Caiu a ficha do Lula: ligou para perguntar por que tem uma foto dele em avião comum no meu computador.
28 DE FEVEREIRO_Não vejo a hora de chegar o Carnaval.
(publicado pela revista PIAUÍ, edição 54, março/11)
beijos

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O jardim que virou horta

>> segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Eu tinha um jardim. Não era grande, mas nele tinha um pé de palmeira areca bem grande até, e 1 roseira que dava muitas rosas vermelhas.
Mas há um tempo atrás uma amiga comentou que estava comprando verduras orgânicas e que o sabor era totalmente diferente. Bom, que o sabor é diferente eu sempre soube, afinal, antes de vir do interior para São Paulo só comia desse tipo. Mas, chegando aqui, acabamos comprando nas feiras ou nos supermercados.
Mas aquilo ficou na minha cabeça, até que, conversando com o marido, e com a concordância da minha empregada (falar a verdade, ela era a que mais queria isso) resolvemos transformar o jardim em horta.
E não é que está dando muito certo? Já comemos alface, agrião, rúcula, cheiro verde, manjericão e beterraba. Por esses dias teremos tomate e couve, e logo mais, maracujá.
Não é bom demais?


Essa é a Cida, que tem uma mão de fada para cuidar da nossa horta, e como vocês estão vendo, a roseira foi preservada.
Então vou dizer uma coisa: Se você tem um espaço na sua casa, por menor que seja, dá pra plantar, e quando colher você vai notar a diferença de sabor. Experimente.

beijos

PS: Ah! Não perca na próxima quarta-feira dia 07/12, o segundo capítulo do Diário da Dilma.

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