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Eu vou tentar

>> segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mais uma voz que se cala.
Eu não tenho nenhum disco de Whitney Houston que morreu no sábado, 11/02/12, aos 48 anos de idade, mas gostava muito de ouvir alguns de seus sucessos.
E fico triste também quando alguém, com uma carreira que já tinha dado super certo, se envereda por um caminho sem volta, deixando perplexos os amigos, fãs e familiares.
Mas, foi o caminho escolhido por ela, então que descanse em paz.


E já que falei em morte - Mórbido isso - quero falar uma coisa sobre VIDA.
Lendo hoje uma reportagem no jornal Folha de São Paulo, no caderno Saúde, li sobre o livro "The Top Five Regrets of the Dying" (Os Cinco Maiores Arrependimentos à Beira da Morte), onde ela conta histórias sobre doentes terminais de câncer.
Então eu pensei: Que tal se a gente começasse a fazer, pelo menos esses cinco arrependimentos mais comuns, ao invés de se arrepender?
São coisas simples:
(foto que ganhei do Alexandre do blog Lost in Japan)
Eu queria ...
  • Ter vivido a vida que eu desejava, não aquela que os outros esperavam de mim.
  • Não ter trabalhado tanto.
  • Ter tido coragem de expressar meus sentimentos.
  • Ter estado mais perto dos meus amigos.
  • Ter me feito mais feliz.
De minha parte, eu vou tentar.
E você?

beijos

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Luto - Moacyr Scliar

>> segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Estou muito triste, e como nesse espaço a gente divide, não só as alegrias mas também as tristezas, caso elas apareçam, vou contar a vocês o porque.
Ele era um dos meus escritores preferidos. Pra mim, a segunda-feira sempre começava bem, porque, logo depois do café eu ia direto para o caderno Cotidiano da Folha de São Paulo, para me deliciar com  suas histórias. Com ele tomei gosto por contos e ontem quando eu soube que tinha partido (bem antes do combinado não?) fiquei muito triste.
Então, presto aqui uma pequena homenagem, reproduzindo o texto publicado em sua última coluna no jornal.
Vou sentir muita saudade, mas, ainda bem que tenho alguns de seus livros para ficar na memória.

Lágrimas e testosterona

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Cada vez que ele queria repreendê-la, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente derretia
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Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar é golpe baixo. As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiver por perto, deixando o sujeito menos agressivo.

Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada -e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões. Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando. Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel em lágrimas de mulher e deixaram que fossem cheirados pelos homens.

O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando-os menos machões.
Ciência, 7 de janeiro de 2011

ELE VIVIA FURIOSO com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez, porém, que queria repreendê-la por uma dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.

Por que o pranto da mulher o comovia tanto? E comovia-o à distância, inclusive. Muitas vezes ela se trancava no quarto para chorar sozinha, longe dele. E mesmo assim ele se comovia de uma maneira absurda.

Foi então que leu sobre a relação entre lágrimas de mulher e a testosterona, o hormônio masculino. Foi uma verdadeira revelação. Finalmente tinha uma explicação lógica, científica, sobre o que estava acontecendo. As lágrimas diminuíam a testosterona em seu organismo, privando-o da natural agressividade do sexo masculino, transformando-o num cordeirinho.

Uma ideia lhe ocorreu: e se tomasse injeções de testosterona? Era o que o seu irmão mais velho fazia, mas por carência do hormônio.

Com ele conseguiu duas ampolas do hormônio. Seu plano era muito simples: fazer a injeção, esperar alguns dias para que o nível da substância aumentasse em seu organismo e então chamar a esposa à razão.

Decidido, foi à farmácia e pediu ao encarregado que lhe aplicasse a testosterona, mentindo que depois traria a receita. Enquanto isso era feito, ele, de repente, caiu no choro, um choro tão convulso que o homem se assustou: alguma coisa estava acontecendo?

É que eu tenho medo de injeção, ele disse, entre soluços. Pediu desculpas e saiu precipitadamente. Estava voltando para casa. Para a esposa e suas lágrimas.
MOACYR SCLIAR (1937 - 2011)


Moacyr Scliar, que morreu ontem, à 1h, aos 73 anos, escrevia nesta coluna, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas no jornal.
É a última coluna do médico e escritor publicada neste espaço.
Este texto, inédito, foi enviado pelo escritor ao jornal no dia 11 de janeiro, antes de sofrer um AVC (acidente vascular cerebral), no dia 17 do mês passado.

um beijo (hoje, tristonho)

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