Dia dos Pais
>> sábado, 13 de agosto de 2011
Eu não tenho mais pai vivo; ele se foi há muitos anos, mas confesso que até hoje eu sinto muita saudade.
Meu pai era uma pessoa muito simples, e o máximo que ele usava de perfumaria era o sabonete, o desodorante e algumas vezes um produto para o cabelo que eu acho que era Glostora (procurei no Google).
Será que se ele tivesse vivido um pouco mais, iria se acostumar com tantos produtos vendidos hoje, específicos para homens ?
Bom, eu creio que não, ele era de uma outra geração, mas, o que vocês acham do aumento em 39% da venda de cosméticos para homens em apenas 1 ano?
Se o jogador Ganso escancara que arranca pelos, quem precisa esconder a peruíce? "A novidade não é a depilação, mas a naturalidade com que ele fala sobre isso, sem dramas de afirmação".
Nesta semana a Folha Equilíbrio mostrou que, um empresário de 30 anos, gasta R$ 400,00 no cabeleireiro. Faz limpeza de pele trimestralmente e sua nécessarie tem creme antirrugas, anti-olheiras e xampu para cabelo tingido. "Os amigos tiram sarro de mim quando estão em turma, mas depois, cada um vem pedir um conselho", diz ele.
Um outro - gerente de marketing - diz que também enfrenta gozações. "Falam que não sou metrossexual, mas quilometrossexual".
Ruga de preocupação - Botox, tratamentos contra manchas e depilação a laser estão aumentando a romaria de homens aos dermatologistas. O botox é muito procurado por eles para a ruga entre as sobrancelhas.
Como o assunto ainda é polêmico, dois colunistas da Folha de São Paulo foram escolhidos para dar sua opinião: Danuza Leão e Xico Sá.
Vejam a opinião de cada um:
Uma questão de ordem - Danuza Leão
Eles invadiram nossa praia sem pedir licença, mas estão exagerando. Quando ouvi falar, pela primeira vez, que os homens estavam indo fazer pés e mãos, fiquei chocada.
Mas, como virei moderna, hoje penso que todos têm a obrigação de cuidar de suas extremidades, sim, mas que sejam atendidos em casa, pois a postura de um homem fazendo as unhas não combina com a masculinidade. E desde que não usem esmalte incolor, como o caixa do banco: fui pagar conta e fiquei em tal estado de choque que quase chamei o segurança.
OK, tudo bem, os costumes mudam, mas não é possível se apaixonar por um homem que faz escova. Eles já usam aro no cabelo e brevemente vão estar de franja e fivelinha. Ah, não, não vejo um homão de verdade fazendo as sobrancelhas e se depilando.
Imaginar que um possa dizer, antes (ou depois) do amor, "Cuidado para não desmanchar meu cabelo" não dá. Metrossexual? Me engana que eu gosto.
Não acredito que esses "novos" homens façam o coração de uma mulher bater mais forte, e deve ser por isso que elas andam mais desencantadas. Onde estão aqueles que nos faziam perder o rumo de casa? Onde é que foram parar? Tão bom ouvir um "Com esse decote você não sai comigo".
Do jeito que as coisas vão, um dia os papéis vão ser trocados, a mulher vai ter que por limite, dar um murro na mesa e dizer: "Tudo bem você usar meus cremes, mas meu batom, minhas calcinhas e meu sapato, isso não".
É preciso botar ordem na casa: ou se é mulher, ou homem, ou gay. Era assim, pelo menos.
Disputa no Espelho - Xico Sá
E da capanga básica com uma latinha de Minâncora, um cortador de unhas -tipo Unhex- e um tubo de polvilho antisséptico Granado chegamos a uma sortida nécessaire de cremes e frescuras. Daí para uma sobrancelha desenhada foi um pulo.
Tudo começou quando Deus, de uma costela de Beckham, criou o metrossexual. Perdido no mato sem cachorro ou GPS, esfoliado e mal-pago, o macho tenta uma desforra contra o avanço histórico da fêmea. Bem no campo da cosmética.
Sintoma do triunfo do metrossexualismo, que deixa o seu rastro de peles lambuzadas e mulheres divididas.
Há quem goste. Tenho percebido, porém, um coro de moças perplexas diante deste novo caubói sensível.
As últimas queixas que ouvi de amigas intrigadas com seus rapazes delicados: "A bancada de potes de creme dele é maior do que a minha, como pode?"; "Outro dia, repare, ele demorou mais para se arrumar do que eu"; "Fico revoltada quando um marmanjo, e dito hétero, fura a fila da clínica de depilação"; "Outro dia ficamos disputando o espelho do banheiro do hotel, vê se pode!"
Pode sim, minha querida, o macho-jurubeba, o dito cavalheiro à moda antiga, já era. Deve ter sobrado uma meia dúzia. Uns três na Mooca, aqui em SP, e mais três no Crato, terra de origem deste cronista.
Calma, moça, não significa que o homem seja menos macho, menos testosteronizado. Não obrigatoriamente. A simbologia, o que representava o sexo masculino, porém, está indo mesmo para o buraco.
A vaidade masculina, senhorita, não tem nada de ilegal, imoral, aética. É legítima e faz a festa da indústria. É só uma questão de você se acostumar com esse seu novo concorrente no campeonato da vaidade.
(dados tirados do jornal Folha Equilíbrio de 09/08/11)
E você, concorda com eles? Qual sua opinião?
beijos





